A revolução digital e a Comunicação

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Nelson Silveira: " Cabe a nós a tarefa de pensar fora da caixa"

O cenário global tem passado por profunda transformação nos últimos anos com a globalização e a digitalização do cotidiano. Isso vem acontecendo de forma muito rápida, transformando a vida das pessoas e desafiando a comunicação. A internet abriu as portas de um novo mundo e ampliou o acesso à informação de uma forma nunca antes vista.

As mídias sociais criaram um campo global de transparência e acesso sem precedentes para a informação e o compartilhamento de opiniões. Se antes as pessoas eram passivas diante das informações divulgadas pela mídia, agora todos viraram comunicadores em potencial, podendo criar conteúdo e espalhá-lo por aí.

Na era digital, os conglomerados tradicionais de mídia estão sendo colocados em xeque, com sua sobrevivência condicionada à capacidade de transformação de seu modelo de negócios. As receitas despencam, com as verbas publicitárias sendo deslocadas para as novas mídias. Mais de um quarto dos investimentos em publicidade já são destinados à Internet.

Na América do Sul este movimento inexorável tem um componente adicional ainda mais explosivo: a crise política e econômica pela qual passam o Brasil e demais países da região, gerando um desafio ainda maior às empresas de mídia, que lutam desesperadamente pela sobrevivência.

Em meio a esta tempestade perfeita, a comunicação corporativa tem enfrentado desafios hercúleos. Como posicionar as mensagens em um cenário fragmentado no qual mídias tradicionais perdem relevância? Como a nova realidade digital e a possibilidade de customização das mensagens refletem na mudança de paradigma da Comunicação Corporativa?

Hoje as empresas têm muitas ferramentas e canais para se comunicar com os seus mais diferentes públicos que vão muito além dos tradicionais press releases. Nesse novo cenário, a mensagem não pode ser pautada pelo que a empresa quer comunicar, mas pelo que o receptor está interessado em saber, discutir. É preciso vender boas histórias envelopadas em formatos inovadores, customizados para audiências específicas. É preciso lançar mão de uma vasta gama de conteúdo e atividades para comunicar as mensagens e atingir o público-alvo. Blogs, sites, vídeos, twitter.

A saída tem sido enxergar a crise como oportunidade. O mercado da comunicação passa por uma consolidação no Brasil e região e, ao mesmo tempo, tem dado um enorme salto de qualidade. As grandes agências globais têm fincado pé neste mercado, visualizando o enorme potencial futuro.

A experiência que temos vivido na GM, que reflete as tendências mais inovadoras da comunicação na era digital, tem sido a de buscar adequar a produção de conteúdo para atingir o público-alvo em três pilares: conteúdo proprietário; aquele produzido pelo usuário e o de terceiros.

O conteúdo proprietário é aquele que criamos, entre eles os press releases e os mídia kits. Inclui táticas como marketing de conteúdo, um guarda-chuva que inclui blogs, uso de mídias sociais, e-mail marketing, infográficos, ilustrações e vídeos. Todo esse conteúdo aponta para um mantra: “seja a mídia”. Temos de ser proativos, escolher qual conteúdo vamos criar e onde e como distribuí-lo.

O segundo tipo de conteúdo é o produzido em conjunto com o usuário. Essa tática serve para alavancar engajamento e fazer crescer uma comunidade. Como? Unindo membros da audiência em torno de um sujeito, marca ou causa para compartilhar ideias, imagens e experiências. Criando, assim, conteúdo que seja novo, relevante e empolgante.

O último pilar alicerça conteúdo criados por terceiros ou embaixadores da marca por meio de mensagens patrocinadas ou espontâneas - influenciadores são uma boa aposta para atingir audiências específicas, já que têm credibilidade para fazer chegar a mensagem da marca a audiências-alvo.

Vale ressaltar ainda que todos os dias nós geramos 2,5 quintilhões de bites de dados e que 90% dos dados disponíveis hoje no mundo foram criados apenas nos últimos dois anos, aponta estudo da IBM.

O desafio está dado. Cabe a nós comunicadores a tarefa de pensar fora da caixa, inovando e criando novos formatos que permitam que as nossas mensagens atinjam corações e mentes de um público cada vez mais ativo, exigente e conectado.