Não está tranquilo e não está favorável

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Ana Lima: "O copo não está meio cheio e nem meio vazio, está vazando"

Não me venham com essa história de que crise é oportunidade em japonês, em sânscrito ou em tupi-guarani. A seca está braba. Nunca na história deste País se falou tanto “nunca na história desse País”. Vivemos recordes de corrupção, de encolhimento de mercados, de queda nos números da economia. Pelo PIB, já temos uma noção do estrago que pela frente virá: é possível que ele novamente caia em 2016, podendo até ultrapassar os quase 4% negativos de 2015. Mas o pior de tudo é a incerteza. E é ela, filha do medo, que nos impede de seguir com nossos projetos, com os sonhos que mantemos em qualquer esfera de nossas vidas. 

Se seu vizinho ou concorrente fala tão somente em prosperidade, desconfie! O copo não está meio cheio e nem meio vazio: está vazando. Independente de ser a favor ou contra o governo (que não sei se será o mesmo quando você estiver lendo este texto), a maioria dos que vendem comunicação corporativa vem sentindo o impacto da crise ou do medo da crise. As empresas não estão apenas com um pé atrás. A impressão que tenho é que não estão sequer andando, mas esperando por algo que não saberemos se virá. O Brasil não tinha um estoque muito bom de credibilidade e talvez precisemos de um novo freio de arrumação, que é aquela parada brusca que o motorista do pau-de-arara dava para que todos os passageiros (bicho e gente) se acomodassem com os matulões. Galo cantava, porco grunhia, cachorro latia, gente reclamava, criança chorava... Depois do freio, tudo se ajeitava. Teremos jeito? Só não há jeito para a morte.

Aqui no Nordeste, tal como em todo o País, vemos as agências se adaptando às novas situações. Há redução de fees, corte de funcionários, reduções diversas, há fechamento de empresas também. Somos comunicadores com especializações diversas: de RP, passando por jornalistas, geógrafos, psicólogos e infinitos analistas. Nesse balaio de gatos, o que muda? No que nos favorece? Cenários nebulosos requerem uma comunicação ainda mais transparente com os diversos públicos das corporações. É esse o nosso negócio! O futuro da comunicação corporativa não é o digital. O digital é o presente. O futuro da comunicação talvez seja uma volta ao passado, aos conceitos básicos de emissor, receptor, mensagem, meio, ruído. Vai comunicar o quê? Para quem? Qual a melhor estratégia? E como serão as respostas a essas mensagens? O que será dito de volta? Qual a argumentação? É um mundo, vasto mundo de trabalho, onde a especialização é cada vez mais necessária.

Não podemos nos dar ao luxo de desanimar. Uma música bastante conhecida aqui pelas bandas do Nordeste, de autoria do falecido Accioly Neto, diz que amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada. E no mesmo poema, ele nos aquece: “Observe quem vai subindo a ladeira... Seja princesa ou seja lavadeira, pra ir mais alto vai ter que suar”. Não há outro caminho, meus caros, senão trabalhar.