A caça à realidade e ao Pokémon

Cadina: novas tecnologias beneficiarão segmento do turismo

Entre agosto e setembro, a febre do Pokémon Go se abateu sobre nós. O game reúne o mundo real com realidade virtual, geolocalização e as telinhas dos smartphones. No dia 1 de agosto, menos de um mês após seu lançamento, havia 276 milhões de artigos publicados sobre o jogo, além de 40 milhões de downloads em todo o mundo. Na semana do início dos jogos olímpicos do Rio, o Google Trends registrou o interesse muitas vezes maior pelo game.

O game satisfez, naquele momento, o desejo de populações por novas experiências, informação e sociabilidade (network). Para isso, a Niantic lançou mão da tecnologia de realidade aumentada e da marca Pokémon, já incorporada ao inconsciente coletivo. Daí surgirem algumas histórias, no mínimo incomuns, como a agência de viagens que anunciou “Venha procurar Pokémon em Aruba”, milhares de pessoas no Central Parque, em Nova Iorque, à procura de um personagem, ou a TV Globo (sim!) citando a marca em um de seus programas.

O Pokémon Go é um exemplo do que vai acontecer daqui para a frente e do que vai transformar nosso dia a dia, passando por entretenimento, trabalho e vida social.  Há uma articulação global de gigantes da tecnologia em direção à realidade virtual – Google, Facebook e Samsung à frente. Essa sinergia de interesses será fundamental para impulsionar o ambiente de realidade aumentada, que inclui a realidade virtual. A convergência de mídias e a popularização de dispositivos tecnológicos formam a dupla responsável pelos próximos passos nesse sentido.

Mas o que nós, comunicadores, temos a ver com isso? Primeiro, o hardware vai se tornar onipresente, mas serão os criadores de conteúdo e os comunicadores que vão garantir que a plataforma esteja em todas as partes. Outro ponto importante é que cada vez mais, nossos clientes vão demandar soluções que incluam experiências novas e comunicação menos linear. Também as campanhas de comunicação mudarão rapidamente já que a realidade virtual pode satisfazer tanto o desejo de informação quanto o de novas experiências.

Para exemplificar essas mudanças, John Brow, head de engajamento da Hotwire PR, citou alguns exemplos no estudo Trends 2016, publicado no Brasil em conjunto com a VIANEWS. O segmento de turismo deve ser um dos primeiros a ganhar com as novas tecnologias. Quem não gostaria de percorrer um hotel, explorar um local ou as instalações de um navio de cruzeiro antes de fechar um pacote para suas próximas férias? Além do mais, ao integrar os comentários recentes e a experiência virtual, você pode, por exemplo, examinar cada elemento do navio e obter não só uma sensação visual do salão de jantar, mas uma noção do serviço de bordo.

Outros setores, menos dependentes de vendas presenciais, devem adotar a realidade virtual como ferramenta de marketing. Para o segmento imobiliário, além de ver a planta, o interessado poderá passear pelos cômodos do imóvel, experimentar as mudanças arquitetônicas, ou decorar o futuro escritório sem sair de casa.

Se você pensar em jornalismo, esqueça a telona. Com a realidade virtual e um smartphone ou óculos translúcidos, as cenas da TV de hoje estarão na sua frente, como parte de seu ambiente. Você poderá estar no pregão da bolsa, presenciando uma celebridade sair de um restaurante ou entre os refugiados sírios na Europa.

Aliás, Brow cita uma campanha da Anistia Internacional em prol dos refugiados sírios que se utilizou de realidade virtual. Em uma cabine, a entidade ofereceu ao público a oportunidade de vivenciar por 10 minutos a vida de um refugiado sírio, uma experiência real da situação de crise. O resultado foi um imediato aumento de doações, e também uma grande visibilidade à questão, que demonstra como o uso simples da tecnologia se manifesta nas redes sociais.

O terceiro setor empreenderá algumas das mais incríveis experiências com realidade virtual nos próximos anos. Veremos campanhas que permitirão às pessoas “experimentar" as consequências de um desastre natural e presenciar a devastação. Acionando informação e emoção, as instituições do terceiro setor despertarão mecanismos favoráveis às doações.

Os jogos do tipo Pokémon Go, a realidade virtual e a realidade aumentada vieram para ficar. Não precisamos ser especialistas em hardware ou software, mas temos que entender essas novas ferramentas de comunicação e os impactos que elas terão em nossas vidas e negócios. Nos próximos anos, haverá muito espaço para conteúdos com criatividade, informação e entretenimento. E nada disso é apenas um uma febre de inverno, ou verão, dependendo da parte do mundo em que você está.