Logo Logo Logo Logo Logo

O papel vital da comunicação na transição energética

Divulgação

Paulo Nassar "Diante da magnitude dos desafios da transição energética, a Aberje defende uma abordagem comunicacional que vá além do mapeamento da materialidade do setor"

Em meio à crescente urgência de uma transi­ção energética rumo a um futuro mais sus­tentável, a Associação Brasileira de Comuni­cação Empresarial (Aberje) destaca o papel crítico da comunicação estratégica. Não se trata apenas de uma ferramenta para informar, mas de um pilar fundamental para acelerar o movimento em direção a um amanhã equitativo, inclusivo e ambientalmente seguro.

A transição energética, que visa a constituição de uma nova matriz energética, baseada em fontes renováveis, é um dos grandes desafios do século XXI, ao mesmo tempo em que abre um enorme le­que de oportunidades. Nesse cenário, a comunica­ção envolve muito mais do que a simples transmis­são de informações, mas deve assumir um papel estratégico, funcionando como um catalisador para mudanças, promovendo uma governança aprimo­rada em busca da preservação do meio ambiente.

As urgências impostas pelas mudanças climá­ticas e pela necessidade de um desenvolvimento sustentável exigem um novo escopo para a comu­nicação corporativa. A recomendação da Aberje é que a comunicação estratégica seja entendida precisamente como uma comunicação para a tran­sição, no duplo sentido de uma comunicação aten­ta às diversas transições por que que passamos (energética, econômica, social, tecnológica etc.) e de uma comunicação a serviço da transição para um futuro desejável. Não basta, portanto, apenas entender o conceito de comunicação estratégica; é vital que os líderes compreendam o impacto co­municacional de suas decisões. Afinal, as decisões tomadas pelas lideranças comunicam valores e di­recionamentos muito além do que qualquer plano de comunicação formal pode fazer.

Nesse contexto, surge também a importância da materialidade do setor da comunicação. Em­presas estão sendo desafiadas a mapear o impac­to ambiental de suas atividades e cadeias sob a perspectiva ESG (governança corporativa, social e ambiental), um processo que não só avalia a sus­tentabilidade interna mas também o impacto so­cial e ambiental externo. Não é diferente com as agências e outros atores do setor de comunicação, instados a mapear o impacto de suas atividades e cadeias.

Aqui uma peculiaridade do setor merece ser en­fatizada. Segundo estimativa do Anuário da Comu­nicação Corporativa da Mega Brasil, as agências movimentaram R$ 4,88 bi em 2022, valor modesto se comparado ao faturamento na casa das cente­nas de bilhões anuais de gigantes como Petrobras, JBS e Vale, por exemplo. No entanto, o real valor do setor de comunicação reside em sua capacidade de influenciar e orientar seus clientes na adoção de práticas mais sustentáveis – muito maior do que o valor de suas notas fiscais.

Nesse sentido, uma das pautas para a qual a Aberje vem já há alguns anos chamando a aten­ção é a das narrativas setoriais. A reputação de qualquer empresa está intimamente atre­lada à reputação do setor no qual atua. A via é de mão dupla: a reputação da empresa afeta a do setor, e vice-versa. Cabe aos profissionais da comunicação atentar a essa dialética, que adquire importância ainda maior em um mo­mento de transição.

Para estar à altura dessa missão, no entan­to, os comunicadores precisam estar equipa­dos com o conhecimento e as competências necessárias. Uma compreensão aprofunda­da e o uso sistemático de dados e das novas tecnologias, inclusive da inteligência artificial, são o ponto de partida. Igualmente central é a questão da integridade da informação. Para lidar com a desinformação em todas as suas formas, diversas entidades multilaterais (ONU e OCDE) vêm recentemente propondo um ar­cabouço mais amplo, no qual o foco não está na verificação do conteúdo de mensagens, mas sim na construção de um ecossistema informacional resiliente. Caberá ao setor de comunicação um papel central nesse proces­so. Contudo, é na gestão e prevenção de crises – talvez o tópico central desse momento de transições que atravessamos – que os comu­nicadores podem fazer a diferença.

Diante da magnitude dos desafios da tran­sição energética, a Aberje defende uma abor­dagem comunicacional que vá além do mape­amento da materialidade do setor. Não se trata de propor que esse mapeamento não seja feito, muito ao contrário. Mas é crucial focar no im­pacto potencial da comunicação como um vetor de mudança para todos os setores econômicos. Afinal, a comunicação é transversal, capaz de atravessar barreiras setoriais e fomentar uma transformação mais ampla e profunda.

Nosso chamado é para que os comunicado­res atuem como agentes da mudança, orien­tando suas organizações, colaboradores, for­necedores, clientes e públicos em geral nessa complexa jornada rumo à sustentabilidade. Essa é uma responsabilidade grandiosa, mas também uma oportunidade sem precedentes para liderar pelo exemplo, demonstrando que a comunicação estratégica pode e deve ser uma força motriz para o bem social, econômi­co e ambiental.