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Como a IA e a crise climática vão interferir no mercado de comunicação?

Divulgação

Simone Iwasso e Rosa Vanzella: "Para que as iniciativas das empresas, voltadas à sustentabilidade e ao impacto social, não sejam consideradas greenwashing, é preciso, desde já, evitar o que não trouxer impacto verdadeiro à vida das pessoas."

Já estamos quase na metade de 2024, mas para contextualizar o assunto deste texto vamos voltar a 2023, talvez o ano mais de­safiador, o inesquecível – um antes e depois – pe­los impactos que trouxe para a sociedade, e em consequência, para como nos comunicamos. Re­ferimo-nos a dois fenômenos: a evolução das fer­ramentas de inteligência artificial (IA) e os efeitos latentes das mudanças climáticas. É o momento adequado para refletir sobre caminhos a seguir.

A inteligência artificial vinha em um proces­so de aumento exponencial de possibilidades na nossa indústria. Mas em 2023 ela foi apresenta­da à opinião pública e entrou na vida das pesso­as. Aqui é importante ressaltar: as agências de co­municação já tinham ferramentas para gestão de comunidades, de análise de dados, triagem de influenciadores etc.. Mesmo assim, eram menos conhecidas e usadas até por profissionais da área.

Acreditamos que essa disseminação da IA pode mudar de maneira profunda o que se pro­duz em comunicação. Não apenas como faze­mos algo, mas também o resultado. Não só a estratégia, mas também a estética. E admitir­mos que estamos diante de tal transformação é fundamental para entendermos as empolga­ções e os temores da adoção de ferramentas cada vez mais bem construídas para fazer boa parte do trabalho que nos acostumamos a fazer.

E como, então, nos prepararmos para essa trans­formação? O melhor é estudar, testar e entender as ferramentas, pela grande oportunidade de gerar mais valor para os clientes. Cases recentes de uso de inteligência artificial apontam para histórias bem contadas. Análises e produções mais rápidas ofe­receram um serviço melhor e mais abrangente à população. Seja para fomentar o pequeno comércio após um período difícil como o da pandemia, para criar conteúdo impressionante e engajador, como um jogo entre duas Serena Williams.

Mas precisamos olhar também para as consequ­ências, até para sermos ouvidos, enquanto indús­tria, como o são as empresas de tecnologia em de­bates, audiências e discussões regulatórias. Para isso, precisamos entender do assunto. O movi­mento dos players do nosso mercado precisa ser de se abrirem para essas inovações e estabelece­rem parcerias com desenvolvedores de soluções.

Outro fenômeno para o qual precisamos estar atentos são as questões ambientais e sociais. As mudanças climáticas estão aqui, o que traz ansie­dade às pessoas, gera crises (previsíveis e impre­visíveis) e intensifica os pedidos para que empre­sas e governos façam mais do que vêm fazendo.

As notícias sobre vivermos o ano mais quen­te dos últimos 125 mil anos, as ondas de calor, as inundações e as outras catástrofes, somadas ao impacto desigual que terão no planeta, devem ser o cenário para todo e qualquer briefing de divulgação de um relatório de sustentabilidade. Soa suficiente ou daremos a impressão de que muito mais poderia ter sido feito?

Essas são mudanças que vão impactar o con­sumo, estarão sempre em debate, sem um arre­fecimento à vista. É aqui que precisamos assu­mir um papel diante de nossos clientes: mais do que um fornecedor de serviços de comunicação, podemos ser parceiros estratégicos para o desen­volvimento de uma estrutura em ESG (Environmen­tal, Social and Governance) conectada com os an­seios da população, comunicada com clareza e transparência.

Há, ainda, um ponto específico da comunicação: ao desgastarmos termos ligados à sustentabilidade e ao impacto social das empresas como “mais do mesmo”, podemos inviabilizar a comunicação de ações importantes e colocar em risco a repu­tação dos clientes. Esse movimento precisa ser debatido para não criarmos o descrédito a esfor­ços verdadeiros; para que as iniciativas de em­presas não sejam consideradas greenwashing. Precisamos desde já evitar aquilo que não trouxer impacto verdadeiro à vida das pessoas.

Em resumo, vivemos tempos de intensos debates e possibilidades. Sem dúvida, teremos novas ques­tões, mas essas apontadas não devem sumir. O que desejamos construir é um mercado mais maduro e preparado para lidar com o que vier.