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Andréa Uchôa: IA não trará estratégia assertiva e customizada, brilho no olho pela entrega, criatividade nas ações e solução real para cada desafio; as pessoas são únicas e o trabalho de comunicação é feito essencialmente de gente e sua diversidade de contribuições
O uso de inteligência artificial (IA) vai transformar o mundo. Essa é uma afirmação que parece estar certa. Ela vai alterar processos em todas as áreas do conhecimento humano. De uma consulta médica a um processo judicial, ela terá interferência. Vai baratear custos, agilizar ações e melhorar a qualidade de vida. Mas também vai gerar mais ruídos, crimes cibernéticos e cortes de posições de trabalho. E isso, com certeza, vai acontecer também na comunicação corporativa.
Mas se, por um lado, temos certeza de que a IA tem potencial para mudar o PR radicalmente, por outro, ainda é muito cedo para entender de que forma e como se darão essas transformações.
Muitas dúvidas existem. A principal delas é como e se a IA vai substituir profissionais no atendimento aos clientes. Em tese, já existem ferramentas que conseguem redigir textos, produzir design de peças. Mas quem vai fazer o input correto das informações para que esses materiais sejam produzidos? E, mais importante do que isso: a inteligência artificial vai conseguir substituir a experiência na hora de criar uma estratégia de comunicação? Ou fazer um gerenciamento de crise?
Sim, as máquinas têm uma capacidade de processar uma infinita quantidade de dados e variáveis, mas, pelo menos num momento inicial, é difícil ou quase impossível imaginar uma máquina que consiga realizar o trabalho mais “avançado” de PR. Muitas agências até já começaram a usá-la na sua rotina. E, de uma forma geral, fica cada vez mais claro que o mundo caminha para um cenário em que haverá mais substituição, pelas máquinas, de tarefas feitas por pessoas. Ao mesmo tempo que nossos filhos e netos provavelmente terão ainda mais dificuldade em conseguir trabalho tradicional, visto que surgirão outras profissões associadas a essa automação. As empresas ficarão cada vez mais enxutas.
Por outro lado, teremos diagnósticos mais acurados de nossos problemas de saúde, faremos exames mais rapidamente, teremos casas com menos interruptores e mais voz, carros que dirigem sozinhos, uma vida mais fácil, se pudermos pagar por ela. E sem uma política de acesso, talvez reforce ainda mais as desigualdades existentes.
E o que acontecerá com o jornalismo? Teremos mais veículos de comunicação totalmente produzidos por máquinas? Os veículos tradicionais também não usarão mais jornalistas? Qual será a credibilidade desses novos veículos produzidos por IA? Como fake news, erros, manipulações serão controlados? Não sabemos. Ainda.
Fato é: inteligência artificial é um complemento inevitável no futuro do nosso dia a dia.
No final de 2023, o Web Summit, um dos maiores eventos de inovação e tecnologia do mundo, que foi realizado pela primeira vez no Brasil, trouxe essa discussão sob a perspectiva dos grandes veículos de imprensa e comunicação. Afinal, paira no ar a incômoda pergunta: “A IA vai matar o jornalismo”? Os profissionais de comunicação que estavam presentes, pelo menos, saíram de lá aliviados.
Tanto a editora-chefe para a América Latina da agência de notícias AFP quanto o vice-diretor editorial da revista Wired foram categóricos: a inteligência artificial possibilita a existência de ferramentas que são ótimas assistentes para a produção de conteúdo, mas nunca irão tomar o lugar imprescindível do humano.
Tomando como base o ChatGPT – que foi fonte de recentes polêmicas por uso não transparente por parte de veículos de imprensa nacionais e internacionais –, está posto que é passível de erros (muitas vezes, graves erros) justamente porque a fonte está em dados disponíveis da internet, terra profícua de erros e fake news. Ou seja, reproduz e produz em meio a uma base que não é 100% segura. Por isso, a apuração humana, a checagem e a adequação de linguagem sempre serão necessárias.
Pelo lado da comunicação corporativa, as ferramentas existentes, e já amplamente usadas no dia a dia, são muito úteis para acelerar processos e contribuir para o resultado final. Mas as pessoas são únicas e o trabalho de comunicação é feito essencialmente de gente e sua diversidade de contribuições. Não existe IA que traga estratégia assertiva e customizada, brilho no olho pela entrega, criatividade nas ações e solução real para cada desafio.
E esse tema fez parte das discussões da Danthi em 2023, como uma agência conectada com o seu tempo, buscando sempre o melhor que a tecnologia pode oferecer para a melhor aplicação na comunicação.
Um ano que consolidou uma nova fase das relações de trabalho e estratégias de construção de reputação e marca no pós-pandemia, trazendo de forma mais maturada as mudanças que vieram após este período tão peculiar para pessoas e negócios.
Acreditamos numa perspectiva de consolidação do mercado de comunicação com base no casamento perfeito entre gente e tecnologia. A senioridade, a experiência, as relações ainda ditarão as melhores entregas para cada situação e desafio de comunicação.
Apostamos e estamos bastante preparados para o que está por vir.