Divulgação
João Pedro Faro: Fazemos bom uso da IA para processamento de big data, utilizando análise de sentimento com base em bibliotecas semânticas de palavras. As máquinas conseguem, inclusive, calcular emoções de forma probabilística, para que os humanos traduzam os resultados em relatórios de percepção
A inteligência artificial (IA) vai esbarrar nos limites do mundo ou da humanidade. Embora não possamos assumir que eventos passados se reproduzam no futuro, essa vem sendo a história das grandes tecnologias. Seja pela escassez de insumos ou pela falta de demanda, crises surgiram e bolhas estouraram.
Voltemos dois séculos. A Revolução Industrial gerou profundas transformações na sociedade, acarretando desemprego no campo, êxodo para as cidades, novas legislações e uma dinâmica de trabalho nunca vista até então.
As máquinas modificaram as relações humanas e se integraram ao mundo anterior. Hoje, 200 anos depois, graças às linhas de montagem desenvolvidas por Henry Ford, por exemplo, os veículos automotores têm um importante papel no transporte de pessoas e cargas; e nós não temos mais a angústia daquela disrupção pretérita. Pois bem, é fácil falar após a obra pronta.
Agora, ao contrário, é difícil prever. Estamos no início da “Revolução da IA”. Fomos apresentados a “máquinas virtuais” que fabricam de forma hiperespecializada, repetitiva e muito mais veloz do que uma pessoa com uma “máquina mecânica” na mão. É uma velocidade assustadora. Quem vê o ChatGPT-4 ou o Gemini 1.0 Ultra em funcionamento pela primeira vez fica boquiaberto.
O ponto central que nos aflige não são os robôs que substituem braços nas fábricas ou realizam o trabalho de limpeza doméstica. Afinal, a automação na indústria, no campo e nos atos cotidianos vem se desenvolvendo há décadas. A surpresa reside, portanto, na criação quase instantânea do produto do nosso século: a informação. E, posteriormente, em suas novas aplicações e usos na comunicação. Trata-se da metamorfose de uma jazida de dados dispersos em conteúdo estruturado, como uma alquimia que faz do metal bruto um anel de noivado.
Mas trago boas notícias. Não está tarde para guardar o tear no armário e recomeçar a jornada. Ao contrário, está na hora certa, pois somente agora empresas começam a ter maturidade para usar IA de forma útil. Na Insight, por exemplo, estamos unindo a experiência na leitura de cenários e criação de narrativas com habilidades no uso de ferramentas de tratamento e análise de dados. Utilizamos IA para monitorar permanentemente o mar de informações publicadas na internet e sinalizar situações de risco para empresas e marcas.
Também fazemos bom uso da IA para processamento de big data, utilizando análise de sentimento com base em bibliotecas semânticas de palavras. As máquinas conseguem, inclusive, calcular emoções de forma probabilística, para que os humanos traduzam os resultados em relatórios de percepção. Por meio de sinapses digitais, são identificados potenciais discursos de ódio, fake news, falácias e muito mais. É possível, ainda, colocar uma IA conversando com outra, podendo gerar uma “entrevista artificial”.
Outra maneira interessante de usar a IA generativa é na criação da estrutura básica de produtos de comunicação, como textos, apresentações, relatórios, posts de redes sociais, roteiros, imagens, vídeos, entre tantos outros. O output serve como um “template sob medida” e acelera sobremaneira a execução do trabalho.
A inteligência computacional e os testes de iteração (múltiplas repetições) melhoram os algoritmos proprietários, mas lembremos que sua concepção é humana e tem origem no ser vivo. Seu árbitro tem coração. Se, por um lado, é incrível ver revelações da IA antes invisíveis a olho nu, por outro, é fantástico assistir às interpretações de pessoas com larga experiência, porque elas contam histórias melhores e recomendam caminhos baseados em conexões cerebrais, ainda ocultas da IA.
Por ora, não está prevista a substituição do homem pela máquina. A trajetória mais provável é o ganho de escala por meio da integração. No futuro, talvez não seja uma surpresa para ninguém. Vale lembrar que a prensa fez emergir uma nova ordem de movimentos que borbulharam a humanidade e hoje se tornou um artefato histórico de museu.