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Flávia Rios: Passamos de profissionais de humanas a leitores de dados. Trocamos nossos releases por estratégias multicanais. Saímos de apoiadores das empresas para estrategistas juntos aos CEOs. Deixamos de ser produtores de conteúdo, apenas, para ser o elo que conecta o negócio e seus públicos.
Vuca, Bani e tantos outros termos mais aprenderemos para tentar dar sentido à complexidade do mundo atual. A próxima sigla, provavelmente, já está circulando por aí e logo ganhará as redes sociais, adeptos, os workshops de futuro e muitas das discussões de quem está tentando entender em que mundo estamos vivendo.
Mas será que isso é possível? Talvez. Eu ouso dizer que nós, da comunicação, provavelmente sejamos os profissionais mais adequados para entender toda essa amplitude e traduzi-la para as pessoas em seus mais diversos espaços.
Nascemos fazendo leitura de cenários, interpretando discursos, lendo o que não está dito e abrindo nossa escuta para as diversas possibilidades de visões e perspectivas. Somos múltiplos. Vivemos na complexidade do mundo, das tecnologias, das diferenças culturais e dos anseios das pessoas.
É uma gama de multiplataformas, multipapéis e multidiscursos que vêm nos desafiando e fazendo com que a comunicação seja repensada a todo instante. Mas a Rede tem a flexibilidade que o mercado requer e vem trabalhando (e se questionando) nos últimos anos sobre o papel da comunicação nos dias atuais e para o futuro que já bateu na nossa porta. Da tendência avassaladora do metaverso (que não se consolidou) à surpreendente adoção célere da inteligência artificial (IA), a comunicação tem mudado na velocidade das inovações do mercado.
Passamos de profissionais de humanas a leitores de dados. Trocamos nossos releases por estratégias multicanais. Saímos de apoiadores das empresas para estrategistas juntos aos CEOs. Deixamos de ser produtores de conteúdo, apenas, para ser o elo que conecta o negócio e seus públicos.
Buscamos novos conhecimentos, desbravamos algumas áreas até então intocáveis (como as ativações pagas), mudamos nossa abrangência de atuação. O que vemos hoje é um mundo de oportunidades para se fazer uma transformação a partir da comunicação.
Teremos sempre novas possibilidades, hoje e amanhã. Mas, apesar de toda a revolução já sentida pelo uso de IA na comunicação e pelas previsões nefastas de substituição de 95% do papel das agências pela inteligência artificial nos próximos anos, creio na vastidão de possibilidades que há diante de nós por entendermos o complexo.
A Rede tem se questionado diariamente: o que vai nos matar? E a nossa resposta tem sido: não entendermos as múltiplas possibilidades da comunicação e da revolução da tecnologia e dos pensamentos na nossa área.
Seguimos tentando, errando, investindo em BIs, tecnologias, conhecimento e, essencialmente, na capacitação e desenvolvimento das nossas pessoas. O mundo é digital, mas quem ainda faz as perguntas e comanda as diretrizes das máquinas são os humanos. E são eles que continuarão essenciais na comunicação complexa e relevante que o mundo nos exige.
Hoje, mais do que nunca, Guimarães Rosa tem razão: “O que a vida quer da gente é coragem”. Sigamos transformando o mundo pela comunicação.