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IA é oportunidade para rever nossas práticas de assessoria de imprensa

Divulgação

Fernanda Lara: Cada assessoria vai ter que reprogramar seu trabalho, entender as ferramentas, apropriar-se delas a seu favor, e estabelecer relações sólidas com os jornalistas. Porque eles também precisam dos assessores, mas não de qualquer um

Há mais de uma década, meu negócio é co­municação – e também tecnologia. Não aconselho esse combo para quem sofre de ansiedade. Mas o fato é que gosto, embora deseje, de vez em quando, dormir e ver tudo igual quando acordar. Ficou difícil não se deparar com mudan­ças do dia para a noite.

Ando mais reflexiva, especialmente depois que li, no relatório Tendências e previsões de jornalis­mo, mídia e tecnologia para 2024, produzido pela parceria entre Reuters Institute e University of Ox­ford, como os publishers admitem que estão so­frendo para manter o negócio da notícia de pé por mais 12 meses que seja.

Um dos motivos da insegurança é que, mais uma vez, as redações precisarão rever seus mo­delos de negócios. A bomba da vez é a inteligência artificial generativa, que já aprendeu uma porção de coisas a partir de conteúdos “roubados” dos ve­ículos jornalísticos.

Produzir informação de qualidade é caro. Con­quistar a atenção do leitor é raro. Formar uma co­munidade fiel ao seu negócio, seja ele qual for, é um desafio descomunal.

Se a inteligência humana não nutrir a IA com diálogos consistentes, estaremos fadados a con­sumir uma enorme quantidade de conteúdo bem pouco interessante, repetitivo e até mentiroso.

Sinto uma necessidade urgente de propagar a ideia de que inteligência artificial generativa é me­nos sobre emprego/perda de emprego e muito mais sobre transformações. Não apenas uma mudança digital e tecnológica; não apenas nas relações de trabalho. Mas no jeito de estar no mundo, de olhar as coisas e de trabalhar de forma eficiente.

As redações vão mudar novamente. O consumo de informação, também. As pessoas estão exaustas de tanto conteúdo. A atenção é artigo de luxo. A descone­xão é real. Adianta continuar a fazer tudo como antes?

É preciso desaprender. É hora de reservar a ex­periência e se aventurar pelo novo. Mergulhar para entender o contexto, as tendências, as habilidades necessárias, as ferramentas.

Por intermédio do I’Max, assessores travam meio bilhão de conversas por ano com os jornalistas de re­dação. Muitas vezes, reclamam de falar sozinhos. Se­ria o e-mail, que ainda é a comunicação profissional mais bem-sucedida do mundo, o culpado pelo mo­nólogo? Ou também ficam no vácuo pelo WhatsApp?

Se as pessoas estão cansadas da informação massiva, como os assessores conseguiriam falar com elas, olho no olho, por meio de um texto? Como se destacar, chamar a atenção?

Respondo com perguntas: quando foi a última vez que você ofereceu aquela pauta que fez seu olho brilhar? Que era tão boa que não dava para dividir com todo mundo e foi com exclusividade? Que encantou o jornalista e deu um imenso retorno para o veículo e para o seu cliente?

Sabe o release que salvou o colega da redação na hora certa, quando uma matéria caiu? Sabe a fonte que o atende em cima da hora e fala superbem?

Os novos tempos, na verdade, são muito mais sobre as relações que construímos – com huma­nos ou até com robôs – do que sobre textos pas­teurizados distribuídos ao vento.

Vou te contar uma última história: temos no nosso mailing alguns jornalistas que denunciam como spam ou pedem para bloquear contatos de assessores que mandam pautas que nada têm a ver com a área de cobertura deles.

Quem assume para si a missão hercúlea de limpar sua caixa de entrada preza pela sua saúde mental e não vai querer mais o contato com asses­sores desrespeitosos.

Mais uma vez estamos falando de relaciona­mento. Emplacar ou não emplacar depende da relação construída e da disponibilidade de con­tribuir com o jornalista, de lhes fornecer boas pautas.

Cada assessoria vai ter que reprogramar seu trabalho, entender as ferramentas, apropriar-se delas a seu favor, e estabelecer relações sólidas com os jornalistas. Porque eles também precisam dos assessores, mas não de qualquer um.

Minha cabeça está fervilhando aqui de novas ideias. O I’Max, por sua história, assume o compro­misso de não parar no tempo. E vocês, me contem: o que têm feito de diferente?