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“Há pacientes com depressões leves e outros que chegam a ter delírios, como a crença de estarem mortos. Essa variação reforça a ideia de que a depressão possui um substrato biológico genético. No consultório, não basta tratar os sintomas; precisamos considerar o perfil genético de cada paciente para personalizar as estratégias terapêuticas”, esclarece a Dra. Lorena Catarina Del Sant, psiquiatra e professora da Afya Educação Médica de Ribeirão Preto
A depressão é uma das condições de saúde mental mais prevalentes e debilitantes globalmente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo e é a principal causa de incapacidade global. No Brasil, a OMS estima que cerca de 5,8% da população – o que representa 11,7 milhões de brasileiros – sofram de depressão, o que coloca o País como o de maior taxa na América Latina.
Em 2025, a Revista Cell realizou uma pesquisa que identificou cerca de 700 variações genéticas da depressão, a partir de dados genéticos de mais de 5 milhões de indivíduos em 29 países, lançando luz sobre os complexos mecanismos biológicos do transtorno. Os pesquisadores revelaram que as associações genéticas descobertas estão concentradas em neurônios localizados em áreas cerebrais vitais para a regulação do humor e das emoções, como a amígdala.
A psiquiatra e professora da Afya Educação Médica de Ribeirão Preto, Dra. Lorena Catarina Del Sant, explica a importância deste levantamento no tratamento dos pacientes com problemas mentais. “A depressão demonstra uma notável heterogeneidade, com evidências apontando para a influência de perfis psicodinâmicos, ambientais, sociais e biológicos. Essa diversidade de fatores resulta em uma manifestação única da condição em cada paciente”, detalha.
A doutora ressalta, ainda, a confirmação que a pesquisa pode trazer para os atendimentos médicos personalizados. “Há pacientes com depressões leves e outros que chegam a ter delírios, como a crença de estarem mortos. Essa variação reforça a ideia de que a depressão possui um substrato biológico genético. No consultório, não basta tratar os sintomas; precisamos considerar o perfil genético de cada paciente para personalizar as estratégias terapêuticas”, esclarece.
A professora da Afya também ressalta que a psicologia tem um papel essencial e educar, desmistificar e humanizar. E que é preciso informar que a depressão não é “problema de cabeça”, mas sim, uma doença real com contribuições biológicas e ambientais.
“Ao explicar a predisposição genética individual, e que a depressão é como qualquer outra doença crônica, conseguimos reduzir a culpa e o preconceito em relação aos transtornos mentais. Uma pessoa pode carregar dezenas ou até centenas de variantes genéticas de risco e nunca desenvolver a doença se o ambiente for protetor. Por outro lado, alguém com menos variantes pode manifestar depressão diante de um trauma, uma adversidade crônica ou questões sociais, como exclusão, pobreza ou violência”, conclui a Dra. Lorena.