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Horizontes de um mundo em transição

Nacionalismo, intolerância, negacionismo e manipulação da informação. Os riscos ao conceito de “Aldeia Global” traçado por Marshall McLuhan e o impacto na vida e nos negócios. Esse é o tema que abre o “Fórum do Pensamento” da 28ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas. O evento acontece nos dias 28 e 29 de agosto, na Unibes Cultural, em São Paulo

Fabio Salles

Da esq. para dir.: Renato Gasparetto, Karla Gobo, Marcelo Coutinho e Paulo Nassar marcaram presença no "Fórum do Pensamento" da 28ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas da Mega Brasil Comunicação

A 28ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas da Mega Brasil Comunicação começou! Entre hoje (28) e amanhã (29), a Unibes Cultural, em São Paulo, será palco do maior Congresso de Comunicação Corporativa do País. Sob a temática “Inovação, Tecnologias Emergentes, Humanidades e Comunicação”, o evento traz uma programação composta por oito mesas redondas e dois eventos satélites, abordando, novamente, conteúdos com temas de impacto na sociedade e fortemente presentes nas pautas diárias das empresas.

E abrindo os trabalhos da edição 2025, nessa manhã tivemos o “Fórum do Pensamento”, que trouxe para o centro das discussões o conceito de “Aldeia Global”, criado por Marshall McLuhan, e o impacto na vida e nos negócios.

De acordo com o filósofo canadense – considerado um dos principais teóricos da Comunicação – o conceito de “Aldeia Global” consiste em um mundo onde as tecnologias de comunicação eletrônica encurtam as distâncias culturais e geográficas, interligando pessoas em todos os cantos do planeta e tornando-as cientes de eventos globais instantaneamente, como se todos vivessem em uma única comunidade.

Entretanto, nos últimos tempos, estamos vivendo em um mundo em transição, no qual o nacionalismo, a intolerância, o negacionismo e a manipulação da informação colocam em xeque esse conceito, que estaria, talvez, passando por uma crise.

“Será que a Aldeia Global está perdendo força nesse mundo cada vez mais unilateral? E qual o papel que a Comunicação exerce nessa nova era?”

Foram com esses questionamentos que o Presidente do Conselho Consultivo da Aberje e sócio fundador da Trust Consulting, Renato Gasparetto, mediador do “Fórum do Pensamento”, deu início às reflexões e discussões desse painel.

Com a palavra, Paulo Nassar, Diretor-Presidente da Aberje e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), destacou que para responder à essa pergunta, é preciso primeiro entender como as informações estão sendo produzidas, uma vez que está acontecendo a “demonização” das informações.

Segundo Nassar, nós estamos vivendo em um mundo paradoxal, no qual o descarrego desenfreado de informações pode provocar um estado de catatonia na sociedade. Em outras palavras, muita informação ao mesmo tempo transforma a sociedade em um verdadeiro caos.

Passando a bola, Karla Gobo, professora no Departamento de Relações e Coordenadora do Eixo de Humanidades da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirmou que, primeiro de tudo, é preciso pensar nas dinâmicas globais atuais, entender o que está acontecendo. Ela defendeu que nós estamos em um processo de mudanças de curso; de um lado, tínhamos a ideia de que o mundo se transformaria em uma Aldeia Global – com todos unificados e conectados – ao mesmo tempo em que estamos caminhando para um processo de hiperlocal.

Segundo Karla, o mundo está muito conectado, porém, isso acontece simultaneamente ao fato de que cada pessoa está – cada vez mais – procurando aquilo que faz sentido para ela como indivíduo.

Fechando o Fórum deste ano, Marcelo Coutinho, professor de Estratégia e Comunicação na Fundação Getúlio Vargas (FGV), destacou que a crise ao modelo de pensamento de McLuhan se deve a visão de um grupo de “aristotécnicos” – em outras palavras, o “grupo dos melhores”.

Coutinho citou como exemplo a teoria do filósofo alemão Martin Heidegger, que defendia que a essência da tecnologia não é tecnológica – e sim, econômica. Trata-se de uma “forma de relevar” que molda o modo como o mundo é apresentado, um processo de “desocultamento” que impõe um sentido próprio. Para ele, a tecnologia representa um perigo, uma vez que pode nos aprisionar e nos desenraizar, tornando-nos “tecnificados” e despojando-nos de nosso ser-no-mundo autêntico.

Em suma, é unânime que estamos vivendo uma crise do multilateralismo. Vivemos em cadeias produtivas globais, mas sob a lógica de governos que buscam o unilateralismo e acordos bilaterais. Para os negócios, isso significa navegar em um mundo que é simultaneamente global e fragmentado.

A 28ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas tem como tema central “Inovação, Tecnologias Emergentes, Humanidades e Comunicação”. O evento acontece entre os dias 28 e 29 de agosto, na Unibes Cultural, em São Paulo.

Para mais informações, acesse a nossa programação neste link.