Fabio Salles
Da esquerda para a direita: Maria Tereza Gomes, Luciana Gutmann, Priscilla Branco e Renato Sales
A 28ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas da Mega Brasil Comunicação continua! Ontem (28) e hoje (29), a Unibes Cultural, em São Paulo, está sendo palco do maior Congresso de Comunicação Corporativa do País, com uma programação composta por oito mesas redondas e dois eventos satélites, trazendo, novamente, conteúdos com temas de impacto na sociedade e fortemente presentes nas pautas diárias das empresas.
Continuando com os trabalhos do segundo dia da edição 2025, nessa tarde tivemos o Painel 6 – Sustentabilidade da Comunicação, que trouxe ao centro das discussões o painel “Policrises, Comunicação de Risco e Risco em Comunicação – o Efeito Borboleta possível no mundo Corporativo”, que abordou como as múltiplas crises interligadas impactam empresas, comunicação e sociedade.
Participaram do debate Luciana Gutmann, Diretora de Comunicação e Engajamento da Brazilian Nickel, Priscilla Branco, Diretora de Public Affairs e Reputação Corporativa do Ipsos Latin America, e Renato Sales, Gerente de Comunicação Externa do Grupo Carrefour Brasil. A mediação ficou a cargo de Maria Tereza Gomes, Sócia e Diretora de Conteúdo da Jabuticaba Conteúdo.
Luciana Gutmann destacou que, em contextos de policrise, “o que dificulta a resposta é que precisamos dar uma resposta rápida, para isso precisa de um processo muito bem definido e competências delimitadas”. Ela chamou a atenção para a transparência como pilar essencial na gestão, deixando claro que confiança só acontece com transparência: “A maioria das empresas vê transparência como prioridade, mas a maioria não consegue manter isso na prática e transparência pode resolver uma crise”. A executiva ainda reforçou o papel da comunicação no engajamento: “Precisamos engajar os stakeholders, manter a escuta ativa e ajustar nosso caminho com as percepções dos outros.”.
Priscilla Branco lembrou que a Ipsos acompanha o tema desde 2022 e que “a velocidade que as coisas acontecem atualmente torna mais difícil lidar com crises”. Usou a pandemia como exemplo de policrise: “A covid abalou várias empresas de diversos setores e a consequência para cada público foi diversa, porém muito interligada. Policrise são várias crises conectadas acontecendo ao mesmo tempo”. Ela também enfatizou que “o silêncio não é uma opção, as empresas precisam entender que a validação social é cada vez mais importante”. E alertou que comunicação não pode ser a única responsável pela reputação, isso precisa ser um conjunto de toda a empresa.
Já Renato Sales trouxe a experiência prática do Carrefour após o caso João Alberto, em 2020: “A primeira coisa é perceber que realmente erramos, a questão da crise não é o que acontece e sim o que é feito depois dela”. Ele contou que a empresa adotou mudanças como cláusula antirracista em contratos de fornecedores, política de tolerância zero e uso de bodycams por vigilantes. Para ele, “não existe uma receita pra gerenciar uma crise, existem processos preventivos, precisamos prever os piores cenários”.
Renato também ressaltou a importância de acompanhar de perto as redes sociais: “Temos que estar de olho nas conversas e não podemos deixar as pessoas falando sozinhas, precisamos interagir e entender o que a sociedade está pedindo”.
O painel reforçou que, diante das policrises contemporâneas, comunicação e reputação corporativa devem estar integradas a toda a estratégia empresarial, baseadas em transparência, escuta ativa e responsabilidade social.
A 28ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas tem como tema central “Inovação, Tecnologias Emergentes, Humanidades e Comunicação”. O evento acontece entre os dias 28 e 29 de agosto, na Unibes Cultural, em São Paulo.
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