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Priscila Santana: Além da carga intensa do dia a dia, as empresas de comunicação frequentemente enfrentam concorrências desleais, pressão por preços e prazos inviáveis, e essa corrida pelo menor preço muitas vezes resulta em entregas de baixa qualidade e desgasta os profissionais, que precisam lidar com expectativas irreais e refazer projetos sem o devido reconhecimento.
São muitas as discussões sobre comunicação e tecnologia, inteligência artificial, inovações, mas eu acredito que a comunicação precisa evoluir para além do desempenho e das métricas. Precisamos, efetivamente, colocar as pessoas no centro.
Diversidade: uma pauta ainda em construção – A comunicação tem um papel crucial na construção de narrativas inclusivas, mas ironicamente o próprio setor ainda enfrenta dificuldades para promover a diversidade internamente. Mulheres, pessoas negras, LGBTQIAPN+ e PCDs ainda encontram barreiras para crescer na área. Pesquisas apontam que apenas 20% dos cargos de liderança em comunicação são ocupados por mulheres negras, por exemplo. A representatividade precisa ir além dos discursos.
Saúde mental: uma necessidade – Trabalhar com comunicação sempre foi sinônimo de pressão. Prazos apertados, necessidade de estar sempre conectado, de propor ações “fora da caixa” criam um ambiente propício para o esgotamento mental. Um estudo da International Stress Management Association (ISMA-BR) apontou que o Brasil é o segundo país com maior nível de burnout no mundo, e os profissionais de comunicação estão entre os mais afetados.
O mito da disponibilidade 24/7 – Com a digitalização e o home office, a fronteira entre vida profissional e pessoal ficou ainda mais tênue. Atender a mensagens fora do expediente virou hábito, e a cultura da “disponibilidade total” se normalizou. Mas a comunicação não pode ser refém dessa lógica. Precisamos resgatar o direito ao descanso e estabelecer limites claros para que a produtividade não seja confundida com sobrecarga.
Pressão de todos os lados – Empreender no mercado da comunicação corporativa é uma jornada de aprendizado constante. Quando fundei a Pronto! Comunicação, sabia que não seria fácil. Em um setor competitivo, dominado por grandes players e marcado por relações de confiança construídas ao longo do tempo, o desafio de estabelecer uma nova empresa parecia ousado. Mas foi justamente essa ousadia que nos trouxe até aqui.
Além da carga intensa do dia a dia, as empresas de comunicação frequentemente enfrentam concorrências desleais, pressão por preços e prazos inviáveis, e essa corrida pelo menor preço muitas vezes resulta em entregas de baixa qualidade e desgasta os profissionais, que precisam lidar com expectativas irreais e refazer projetos sem o devido reconhecimento.
Como mulher, 45+, mãe e profissional de comunicação há mais de 20 anos, encarei (e ainda encaro) muitas situações desafiadoras, para dizer o mínimo. Ao longo desses anos, vi a comunicação mudar drasticamente, mas os desafios para quem trabalha nessa área continuam imensos.
Tendências e tecnologia são discussões importantes, mas espero que a humanização das relações vire o centro do debate. Não somos apenas “clientes” ou “fornecedores”. Somos pessoas e podemos transformar nossas empresas em espaços mais inclusivos, saudáveis e equilibrados. Só assim construiremos um mercado mais justo e sustentável para todos.