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Ricardo Torreglosa: As disputas de narrativas no poder público, há tempos não ocorrem apenas nos gabinetes – elas também se dão nas arenas das percepções, das redes, das comunidades. Há embates entre diferentes visões de mundo − segurança x inovação, liberdade x controle, proteção x eficiência
Depois de consolidar o posicionamento da Prospectiva como uma consultoria full servisse de public affairs, organizamos a nossa oferta de serviços em três pilares: (i) Gerenciamento de temas (Issue Management), que monitora, analisa e recomenda ações, (ii) Acesso a mercados, com uma oferta customizada para a jornada das empresas que buscam ter o governo como cliente e, por último, (iii) Influência, que posiciona clientes e suas agendas na arena pública, por meio da integração de engajamento, aconselhamento e comunicação.
Por aqui, estamos cada vez mais confiantes de que estratégias de Influência bem-sucedidas são orientadas por mapeamento preciso de audiências e adaptação de linguagem e canais.
Mais do que isso, temos aprendido, na prática, que uma comunicação dedicada consegue traduzir agendas complexas em mensagens acessíveis, conectar interesses privados e públicos e (re)posicionar atores institucionais com coerência e credibilidade diante de stakeholders diversos.
Não se trata de algo novo. Existe comunicação nas relações institucionais por essência, mas o que temos notado é uma mudança de papel, saindo de um suporte tático, de implementação, e passando a ocupar um papel estruturante no processo de influência com o tomador de decisão, costurando narrativas, legitimando pleitos e ampliando o alcance das campanhas de advocacy.
As disputas de narrativas no poder público, há tempos não ocorrem apenas nos gabinetes – elas também se dão nas arenas das percepções, das redes, das comunidades. Há embates entre diferentes visões de mundo − segurança x inovação, liberdade x controle, proteção x eficiência. E é aí que uma abordagem assertiva pode mudar o rumo de um projeto e até mesmo determinar os termos de um debate público. Exemplos não faltam: a repercussão de pontos de vista sobre temas públicos polêmicos, como a tributação de compras internacionais ou o monitoramento das movimentações via PIX, por exemplo, ditou os rumos de decisões políticas, efetivamente.
Outro ponto crucial é a adaptação da linguagem e dos canais ao perfil de cada audiência. Policymakers, associações, ONGs, jornalistas e comunidades têm códigos e expectativas diferentes. A eficácia da comunicação está em saber escutar, interpretar contexto e entregar mensagens que ressoem. Não se trata apenas de “vender” uma ideia, mas de estabelecer vínculos de confiança.
Além disso, o timing é essencial. O ambiente político e regulatório é dinâmico, sensível a ciclos, crises e oportunidades e uma estratégia precisa estar ancorada no tempo e no tom certos. Isso significa alinhar pleitos institucionais a agendas públicas em curso e conectadas ao interesse coletivo.
Comunicação e inteligência política devem andar juntas.
Mapear stakeholders, antecipar riscos, identificar narrativas concorrentes e utilizar dados são práticas indispensáveis. A comunicação deixou de ser “acessória” e passou a ser um ativo central na construção de legitimidade e no avanço de pautas regulatórias.