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Fernanda Lara: Mudar é desconfortável, mas obrigatório quando você está na condição líder de mercado
Em novembro de 2024, dei início àquele que considero o projeto mais ambicioso da minha trajetória como empreendedora. Trata-se do Mais pelo Jornalismo (MPJ), uma iniciativa para apoiar com infraestrutura tecnológica até 1.000 portais jornalísticos locais, regionais ou segmentados. Desde o lançamento, o MPJ recebeu mais de 400 inscrições, e quando você estiver lendo este artigo já teremos os primeiros portais publicados.
Por que considero o MPJ ambicioso? Em parte, porque o investimento é alto. Os serviços oferecidos não envolvem nenhum tipo de contrapartida financeira. Todas as funcionalidades necessárias para manter um portal jornalístico são financiadas pelo I’Max. Também é ambicioso porque convida a uma mudança de mentalidade, que precisou começar por mim, depois de análises profundas do mercado de comunicação.
Mudar é desconfortável, mas obrigatório quando você está na condição líder de mercado – caso do I’Max, no segmento de plataformas de mailing de imprensa no Brasil. Precisamos apontar caminhos para o mercado; dar exemplo. Não tenho a pretensão de estar certa ou de caminhar sem riscos. Mas dou como garantia os dados que embasam meu comportamento como empreendedora desde o início da minha empresa.
Em 10 anos, vi desaparecerem do mailing mais de 13 mil mídias. Acompanho as pesquisas sobre os desertos de notícias no Brasil e fora dele. Vejo com preocupação o avanço das big techs, achatando a relevância da imprensa nos buscadores e achacando os veículos com o roubo de conteúdo para alimentar a IA generativa. Ser um publisher pequeno e conseguir se sustentar é extremamente difícil.
Por isso, tenho pregado com a fé de devota fervorosa a necessidade de financiamento do jornalismo. Clientes precisam ser educados para reservar parte da sua verba publicitária para patrocínio, branded content e projetos em parceria com a imprensa. Agências precisam chamar a atenção das marcas para a importância desse investimento.
O MPJ é minha iniciativa nesse sentido. O I’Max existe para ser uma ponte tecnológica entre assessorias de imprensa e redações. Com menos veículos, há menos chances de emplacar pautas. É um raciocínio simples, porém, distante de quem está com a caneta do orçamento.
Mailing de imprensa é uma tecnologia importantíssima para o dia a dia da comunicação, mas não podemos continuar escalando práticas obsoletas, como disparos em massa ou estratégias baseadas em volumes de links.
O uso estratégico do mailing, a escuta atenta do cliente e o investimento em relacionamento somam-se à necessidade de apoio ao jornalismo sério e local, onde as marcas construam reputação e vínculo com suas comunidades.
Tem sido um desafio defender essa visão transformadora no âmbito das relações públicas. Mas também existe orgulho e entrega de valor nessa jornada. O MPJ é financiado com parte do que o I’Max recebe dos clientes, que são agências, em sua maioria. Logo, já são parceiras no fortalecimento do jornalismo. Mas precisam abraçar essa causa de forma definitiva.