Grazielle Ueno (foto) é a convidada do Programa Inclusive
O foco agora é informação e prestação de serviço… está na hora do Inclusive, aqui na Rádio Mega Brasil Online!
1 – Como iniciou suas pesquisas sobre a mobilidade urbana voltada para pessoas com deficiência visual;
2 – Como a tecnologia pode ser empregada de forma eficiente quando se pensa na mobilidade de pessoas com deficiência;
3 – O desenvolvimento do aplicativo SeeWay*, criado por estudantes universitárias em Curitiba, exemplifica essa possibilidade ao propor recursos que orientam usuários cegos no transporte coletivo, com comandos de voz, alertas de parada e comunicação direta com os motoristas.
A digitalização de serviços e avanços tecnológicos estão transformando a vida urbana. No entanto, ainda surpreende constatar a exclusão enfrentada pela população com deficiência visual no Brasil, que corresponde a 7,9 milhões de acordo com censo do IBGE em 2022. Diante desses números é alarmante observar que enquanto parte da população usufrui de inovações digitais, outra permanece invisível diante de barreiras físicas, comunicacionais e sociais. O direito à mobilidade, assegurado em lei, continua distante da prática cotidiana, o que reforça a convicção de que a deficiência visual no Brasil é um problema de cidadania negligenciado pelo poder público e que só encontrará solução se a tecnologia for usada de forma inclusiva e democrática.
O cotidiano das pessoas com deficiência visual exibe as fragilidades da mobilidade urbana no Brasil. Ruas esburacadas, ausência de pisos táteis, semáforos sem sinalização sonora e transporte coletivo sem acessibilidade revelam um cenário de exclusão silenciosa. Essa realidade contrasta com o discurso de inovação que pauta o planejamento urbano de muitas cidades. Fala-se em conectividade, automação e inteligência artificial, mas ignora-se o básico: garantir que todos tenham condições seguras de se locomover.
A contradição é evidente. De um lado, existe uma legislação robusta que garante direitos fundamentais; de outro, o abismo entre norma e prática permanece. Nesse contexto, a tecnologia pode e deve ser um divisor de águas. O aplicativo SeeWay, criado por estudantes universitárias em Curitiba, exemplifica essa possibilidade ao propor recursos que orientam usuários cegos no transporte coletivo, com comandos de voz, alertas de parada e comunicação direta com os motoristas. Iniciativas como essa mostram que inovação, quando voltada para a inclusão, pode se tornar instrumento de justiça social e urbana.
No entanto, há um risco que precisa ser dimensionado e enfrentado. O alto custo de equipamentos, a exclusão digital e as desigualdades socioeconômicas podem restringir o alcance dessas soluções, transformando-as em privilégios. Tecnologia sem acessibilidade universal não é inclusão; é apenas um reforço do abismo social. Por isso, é essencial que tais inovações sejam integradas às políticas públicas, recebam apoio institucional e sejam pensadas para atender a toda a população, e não apenas a quem pode pagar por elas.
A deficiência visual no Brasil vai além de uma questão de saúde ou limitação física: trata-se de um problema de cidadania e justiça social. Mobilidade não deve ser entendida apenas como deslocamento de um ponto a outro, mas como condição para participar plenamente da vida em sociedade. Diante disso, a professora defende que a tecnologia tem o potencial de ser uma ponte para a inclusão, desde que seja acessível, democrática e integrada às políticas urbanas. Quando usada nesse sentido, deixa de ser promessa futurista e se transforma em um projeto real de transformação coletiva. Afinal, não se pode falar em cidades inteligentes enquanto milhões de brasileiros permanecem invisíveis em suas próprias ruas.
(Fonte: Grazielle Ueno).
* Saiba mais sobre o aplicativo SeeWay ao acessar o seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=6mzwWLtgrYU
** Mais informações: @nqmcom e @grupouninter
Não perca esta entrevista que vai ao ar hoje (23/03) às 13h na Rádio Mega Brasil Online.
O programa Inclusive é apresentado pela jornalista Rosa Buccino todas as segundas, às 13, com reapresentações diárias em mesmo horário e, aos finais e semana, às 8h, na Rádio Mega Brasil Online.
O programa também é disponibilizado, simultaneamente com a exibição de estreia, no Spotify, e em imagens, na TV Mega Brasil