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Tecido se torna poesia

Arte têxtil contemporânea ganha protagonismo em exposição de Elza Aidar (foto). “Poética Fractal” apresenta linguagem que transforma tecido em narrativa visual e sensorial

Divulgação

Aos 82 anos, Elza Aidar (foto) construiu uma trajetória artística marcada pela pesquisa contínua e pela dedicação ao fazer manual. Moradora de Alphaville desde 1984, a artista desenvolveu sua linguagem ao longo de décadas, em um processo que combina estudo, experimentação e um olhar sensível para os materiais. Parte significativa de seu trabalho foi construída a partir de viagens internacionais, nas quais buscou tecidos e referências que hoje compõem a base de suas obras, ampliando o repertório estético e cultural presente em suas criações.

A iGaleria, no Iguatemi Alphaville, apresenta a exposição “Poética Fractal”, da artista plástica Elza Aidar, com curadoria de Claudia Paronetti. A mostra reúne obras que exploram a arte têxtil como linguagem contemporânea, alinhada a uma tendência global que reposiciona o uso do tecido no campo conceitual.

Na produção de Elza, o patchwork é elevado a um nível de complexidade pouco usual. Fragmentos minuciosos de tecidos são organizados como unidades cromáticas, funcionando como pinceladas que constroem imagens com forte carga sensorial e poética.

O processo exige precisão técnica e um tempo de execução prolongado, refletindo uma prática quase meditativa. A artista utiliza tecidos selecionados ao longo de anos de pesquisa, incluindo materiais adquiridos em viagens internacionais, o que amplia a diversidade de texturas e narrativas presentes nas obras.

Segundo a curadora Claudia Paronetti, a arte têxtil contemporânea “deixa de ser apenas técnica ou decorativa e passa a ocupar um lugar conceitual, em que materiais, tramas e processos revelam narrativas ligadas à memória e à identidade”.

As obras dialogam com referências impressionistas na construção de cor e atmosfera, mas se afastam dessa tradição ao fragmentar a imagem e propor uma leitura mais atual e sensorial. O tecido assume protagonismo não apenas como suporte, mas como elemento estruturante da obra.