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“Além dos compromissos públicos assumidos e das metas definidas, o momento atual exige implementação prática e demonstração de resultados. As medidas para acelerar e ampliar impactos positivos em escala têm avançado de maneira assertiva dentro das corporações brasileiras, mas o processo de aprimoramento deve ser contínuo”, ressalta Mônica Gregori, Diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil
O Pacto Global da ONU – Rede Brasil, representação local da maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, tornou público, durante o “4º Fórum Ambição 2030” – o maior evento de sustentabilidade corporativa do País – os resultados consolidados do seu “Relatório Ambição 2030”, referentes ao ciclo 2025. E o balanço anual aponta que as iniciativas e movimentos da instituição já impactam, diretamente, mais de 2 milhões de trabalhadores no Brasil, deixando evidente o potencial do País para ocupar uma posição estratégica no debate internacional sobre clima, biodiversidade e transição energética, bem como integridade, direitos humanos e trabalho.
Até dezembro de 2025, conforme consta do novo relatório, 389 organizações brasileiras estão formalmente comprometidas com a agenda de sustentabilidade da ONU, o que representa um crescimento de 11% em relação a 2024. Ao todo, a rede acumula 751 cartas de compromisso assinadas (documento que formaliza a entrada no Pacto Global da ONU) e mais de duas mil metas públicas declaradas, mantendo um índice de recomendação de 9,1 pelas empresas participantes, em uma escala de zero a dez.
Segundo Guilherme Xavier, Diretor-Executivo do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, o ciclo de 2025 demonstra que as companhias saíram da fase de intenções e entraram na etapa de consolidação de dados confiáveis e monitoramento contínuo. Ele destaca que esse amadurecimento técnico do setor empresarial brasileiro tem inspirado iniciativas semelhantes do Pacto Global nos Estados Unidos e em outros países, reafirmando o protagonismo nacional na liderança climática e social global.
Uma das principais novidades apresentadas no relatório, para 2026, é a evolução da agenda ambiental com a transformação do “Movimento Impacto Amazônia”, iniciativa cuja ambição é engajar o setor empresarial brasileiro no enfrentamento ao desmatamento na Amazônia, no novo “Movimento Impacto Biomas”. Diante da urgência climática e da proximidade da COP30, a iniciativa expandiu seu escopo para além da floresta amazônica, incorporando todos os biomas críticos do Brasil e integrando a gestão de ecossistemas naturais diretamente à estratégia de negócios das companhias. Antes desse reposicionamento, o “Movimento Impacto Amazônia” registrou, em 2025, um crescimento de 67% em organizações comprometidas.
Na mesma linha climática, o “Movimento Ambição Net Zero”, iniciativa que estabelece compromissos de combate às mudanças climáticas com metas ambiciosas, consolidou-se como o segundo maior em adesão do portfólio, com 129 empresas que, juntas, registraram uma redução acumulada de 87,35 milhões de toneladas de carbono nos últimos quatro anos, sendo que 82% das participantes já concluem seus inventários de emissões nos Escopos 1, 2 e 3.
Ainda na frente Ambiental, o relatório trouxe dados expressivos sobre recursos hídricos e economia circular. O “Movimento + Água”, que propõe o engajamento coletivo para alcançar objetivos centrais nas agendas de segurança hídrica e acesso ao saneamento básico no Brasil, registrou 88% de atingimento na meta de contribuição para o acesso à água potável. Paralelamente, o “Movimento Conexão Circular”, criado para acelerar o atingimento das metas do “Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 12 – Consumo e Produção Responsáveis”, alinhadas aos princípios da Economia Circular, registrou 77% de progresso na valorização de resíduos sólidos. Também celebrou o lançamento de iniciativas de inovação, como o “Reinova” (projeto de redesign e inovação, para engajar ativamente as empresas para trabalhar itens selecionados do Inventário Nacional de Resíduos) e a “Moeda Circular” (protótipo de itinerância na coleta de resíduos recicláveis do “Reinova”), apresentados no cenário global.
Na esfera Social e de Governança, os movimentos focados em diversidade, equidade e inclusão alcançaram as maiores notas de satisfação das empresas parceiras. O “Movimento Elas Lideram 2030”, focado na igualdade de gênero em posições de alta liderança, tornou-se o maior movimento da Rede Brasil, com 145 corporações signatárias. A meta de atingir 30% de mulheres em cargos de alta liderança até 2025 foi superada, alcançando uma média de 42%, o que motivou a expansão da meta para 50% de liderança feminina até 2030, agora sob uma perspectiva interseccional que engloba raça, deficiência e orientação sexual.
O “Movimento Raça é Prioridade”, que estimula as empresas a assumirem metas ambiciosas para aumentar o número de cargos de liderança ocupados por pessoas negras, indígenas, quilombolas ou pertencentes a outro grupo étnico minoritário, também encerrou sua primeira fase reportando uma média de 23,6% de pessoas negras e indígenas na alta liderança, passando a exigir diversidade na cadeia de fornecedores e incorporando as diretrizes do novo “ODS 18 para Igualdade Étnico-Racial”.
Complementando os avanços sociais, o “Movimento Mente em Foco”, voltado à promoção de ambientes de trabalho seguros e saudáveis, passou a acompanhar a atualização da NR-1, que reforça a gestão dos fatores de riscos psicossociais no ambiente de trabalho e a importância de medidas proativas por parte das organizações. Por sua vez, o “Movimento Educa 2030”, que mobiliza o setor privado para enfrentar desafios estruturais da educação no País, registrou a maior taxa de resposta do ciclo, com 96% das participantes monitorando ativamente suas metas de inclusão produtiva e educação.
Apesar do avanço nas políticas internas, o relatório mapeou gargalos estruturais relevantes para o empresariado nacional, sendo o engajamento da cadeia de valor apontado por 26% das organizações como o maior desafio atual, seguido pelas limitações orçamentárias de 23% delas. Esse obstáculo se reflete no “Movimento Salário Digno” – que busca engajar empresas na adoção do conceito de “Salário Digno” em suas políticas de remuneração para seus próprios trabalhadores, contratados ou terceirizados – e no “Movimento Transparência 100%” - convida as empresas a assumirem compromissos públicos com metas anticorrupção e tem por ambição desenvolver instituições eficazes, responsáveis e transparentes em todos os níveis.
Embora 23% das empresas já garantam salário digno para funcionários próprios, o atingimento da meta para terceirizados ainda não é mapeado, expondo uma lacuna crítica de mensuração e controle sobre fornecedores que precisa ser estruturada. Da mesma forma, no combate à corrupção, apenas 3% das empresas conseguiram treinar integralmente sua cadeia de valor em integridade.
Para Mônica Gregori, Diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, os resultados são estratégicos e mostram que o país tem o potencial de encabeçar mudanças estruturais de longo prazo. “Além dos compromissos públicos assumidos e das metas definidas, o momento atual exige implementação prática e demonstração de resultados. As medidas para acelerar e ampliar impactos positivos em escala têm avançado de maneira assertiva dentro das corporações brasileiras, mas o processo de aprimoramento deve ser contínuo”, ressalta.