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Everton Schultz: Em 2026, a pergunta que as marcas devem se fazer não é mais “como posso ser notada?”, mas “como posso ser útil?”. Se o brasileiro parou de esperar pelo sistema para organizar o próprio caos, a relevância de uma marca agora é medida pela sua capacidade de ser facilitadora de conexão.
A gente vive um tempo curioso: nunca tivemos tanta informação disponível e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil conectar-se de verdade. No meio de tanto ruído, a comunicação precisa voltar a ser bússola. Menos volume, mais sentido. Menos presença forçada, mais relevância construída.
Quando olhamos para o Brasil, esse desafio ganha outra dimensão. A pesquisa Tensões Culturais, da Quiddity, mostra um país emocionalmente cansado, desconfiado e sobrecarregado. Há um contraste claro: as pessoas seguem otimistas com a própria vida, mas desacreditadas nas instituições que representam o coletivo. E isso muda a forma como marcas e instituições precisam se posicionar.
Confiança hoje é um ativo escasso. Ela não está nos discursos amplos, mas nas relações próximas. Ao mesmo tempo, cresce a fadiga digital – as pessoas querem reduzir o excesso, buscar pausas e pertencimento real. Comunicar bem deixou de ser falar com muitos, e passou a ser falar com os certos.
Comunicação de impacto é sobre contexto. É entender antes de agir. Combinar dado com sensibilidade, estratégia com escuta. É entrar nas conversas com legitimidade – não interrompê-las. Não se trata de estar em todos os canais, mas de escolher bem onde e como estar.
Esse movimento exige colaboração. Sem barreiras entre disciplinas, canais ou geografias. É isso que se fortalece na Ágora dentro do ecossistema Untold: mais repertório, mais conexão entre expertises e mais capacidade de construir soluções completas – da estratégia à cultura.
Nesse cenário, a inteligência artificial entra como aliada. Ajuda a organizar o caos, acelerar processos e abrir possibilidades criativas. Mas não substitui o essencial: repertório, leitura de contexto e sensibilidade cultural. O diferencial continua sendo humano.
Em 2026, a pergunta que as marcas devem se fazer não é mais “como posso ser notada?”, mas “como posso ser útil?”. Se o brasileiro parou de esperar pelo sistema para organizar o próprio caos, a relevância de uma marca agora é medida pela sua capacidade de ser facilitadora de conexão.
Não estamos mais na era da atenção, mas da sustentação. O consumidor filtra o excesso e retém o que importa – no prato, no grupo de WhatsApp ou na pauta social.
As marcas que se destacam são estas que têm estes tipos de comportamento:
Validam o real: reconhecem a exaustão e oferecem caminhos práticos de alívio.
Dialogam com o micro: participam de comunidades com credibilidade.
Operam com a verdade: coerência é o único ativo que não desvaloriza.
No fim, o desafio não é aparecer. É continuar relevante. Não deixar a conversa morrer, nem o vínculo se perder.
Não deixar o samba morrer.