Por Larissa Sugiyama
03 de Abril de 2025 | 15h00
Divulgação / LinkedIn
“Segundo o estudo, além das obrigações dentro do ambiente de trabalho, a sociedade espera que as empresas atuem em questões que vão além de suas áreas de negócio, como custo de vida, mudanças climáticas, requalificação, desinformação e discriminação”, comenta Ana Julião, Gerente-Geral da Edelman Brasil
A edição 2025 do “Edelman Trust Barometer” revela uma sociedade marcada pelo ressentimento, com 64% dos entrevistados brasileiros relatando o sentimento em nível moderado ou alto. Do inglês “grievance”, na pesquisa a percepção é definida pela crença de que empresas e governo tornam a vida das pessoas mais difíceis e atendem a interesses restritos, e que os ricos se beneficiam desse sistema, enquanto pessoas comuns enfrentam dificuldades.
Em um cenário de insatisfação, 3 em cada 10 brasileiros entrevistados aprovam o ativismo hostil como meio de promover mudanças, o que significa que eles aprovariam uma ou mais das seguintes ações: ataques virtuais; disseminação intencional de desinformação; ameaças e violências; ou danos à propriedade pública ou privada.
O estudo ainda revelou que esse sentimento impacta diretamente a confiança no governo, empresas, ONGs e mídia. Entre os entrevistados que apresentam altos níveis de ressentimento, nenhuma instituição é considerada confiável. Essa percepção negativa afeta também a adoção de novas tecnologias, com apenas 38% dos altamente ressentidos confiando na Inteligência Artificial, e 34% confortáveis com o uso da tecnologia por empresas.
Já a percepção negativa em relação a líderes institucionais não é algo novo. Desde 2021, o receio de que esses líderes estejam deliberadamente enganando a população tem sido cada vez mais presente entre os respondentes do estudo. No Brasil, 76% acreditam que autoridades governamentais mentem intencionalmente, seguidos por 72% com a mesma percepção em relação a líderes empresariais e jornalistas.
Nos últimos anos, a expectativa para que empresas liderem a busca por soluções para questões sociais ganhou mais relevância, uma vez que são percebidas como mais competentes, éticas e confiáveis do que o governo. No entanto, essa alta confiança também acarreta mais responsabilidade.
“Segundo o estudo, além das obrigações dentro do ambiente de trabalho, a sociedade espera que as empresas atuem em questões que vão além de suas áreas de negócio, como custo de vida, mudanças climáticas, requalificação, desinformação e discriminação”, comenta Ana Julião, Gerente-Geral da Edelman Brasil.
Principais achados do estudo:
. As empresas continuam sendo a instituição mais confiável no Brasil (62%), enquanto as ONGs estão no patamar da neutralidade (56%), e o governo (39%) e a mídia (46%) são desconfiados.
. Os setores mais confiáveis no Brasil incluem Tecnologia (78%), Alimentos e Bebidas (76%) e Hotelaria e Hospitalidade (76%). Já as Mídias Sociais são as únicas no patamar da neutralidade (51%).
. Entre os empregados, cientistas (78%), professores (78%) e CEO (70%) são as pessoas mais confiáveis para atuar corretamente no Brasil. Enquanto isso, autoridades governamentais são vistas como não confiáveis (38%).
. Insegurança no trabalho é um aspecto prevalente entre os empregados, incluindo preocupações com conflitos comerciais internacionais (67%), concorrência estrangeira (58%), recessão iminente (66%), falta de qualificação (60%) e automação (58%).
. A confiança no “meu empregador” declinou globalmente entre os empregados. No Brasil, apesar da queda de 5 pontos percentuais desde o ano passado, a instituição permanece no patamar da confiança (77%).
. O medo de sofrer discriminação atingiu um recorde histórico, com 63% dos brasileiros preocupados em vivenciar algum tipo de preconceito, discriminação ou racismo – esse medo é maior ainda entre mulheres (68%).
. Respondentes de baixa renda confiam 16 pontos a menos nas instituições do que aqueles de alta renda (43 contra 59 no “Índice de Confiança”).