Por Claudia Bezerra
17 de Outubro de 2025 | 08h00
Divulgação / TV Globo
Novela boa não é só entretenimento. É espelho, é praça, é bar da esquina com a TV ligada no sinal aberto. Quando “Vale Tudo” volta e o País inteiro lembra, comenta, ri e discute, não estamos falando de saudosismo, e sim de atenção, o ativo que move marcas, negócios e conversas. A pergunta “Quem matou Odete Roitman?” ressurgiu menos como nostalgia e mais como prova de vida: a mídia tradicional não morreu, ela aprendeu a dançar com o digital sem perder o ritmo do brasileiro.
Sabemos que há, no mercado, quem adore frases apocalípticas: “O futuro é só digital”. Não é! O futuro é o digital quando a história merece ser buscada, compartilhada e comprada. E é também a TV aberta quando o Brasil decide assistir junto, no mesmo minuto, com o coração na mão e os olhos fixos. Não se trata apenas de escolher as mídias a utilizar, e sim de desenhar uma trajetória. Com contexto e timing, o interesse vira busca, a busca vira visita e a visita vira venda. Nada disso, aliás, é sorte. É, na verdade, a mídia cumprindo seu papel: organizar a atenção, dar lastro cultural à marca e transformar conversas em resultado.
É assim que frases viram patrimônio. Aposto que você lembra de pelo menos uma destas: “Não é assim uma Brastemp”, “Bonita camisa, Fernandinho!” ou “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”. Nenhuma delas nasceu de truques: foram resultado de método, frequência e respeito ao público.
Defender a mídia tradicional não é morar no passado. Longe disso! É perseguir resultado no encontro entre telas, tecnologias, frequências, lugares e pessoas. Quando cada meio cumpre seu papel, a campanha vira jornada, não tiro isolado. E a jornada respeita o ritmo humano: ver, lembrar, comentar, comparar e decidir. Quem tenta encurtar esse caminho com atalhos mágicos termina com engajamento frágil e o caixa vazio.
O retorno de “Vale Tudo” lembra que atenção é o ativo a ser mantido e valorizado. Conquista-se com narrativa clara, consistência e presença onde o Brasil acontece. A publicidade que entende de gente não escolhe entre TV e digital. Isso, inclusive, é uma grande bobagem, sinceramente!
É preciso usar os meios, sim, todos eles, com inteligência. Diversificar não é dispersar, é orquestrar. Há estratégia, tempo, espaço e investimento para cada canal quando a ideia lidera e a execução respeita o ritmo do público. TV, digital, rádio, impresso e todas as mídias off-line têm papéis distintos e complementares. Enquanto o País volta a perguntar “Quem matou Odete Roitman?”, às marcas cabe uma questão menos de mistério e mais de método: “Brasil, qual é o teu negócio?”. A resposta é simples: atenção. Qual? A sua.
Claudia Bezerra
Claudia Bezerra é publicitária e sócia da Kind Branding.