09 de Junho de 2026 | 15h00
Humberto Pimental (foto) é o convidado do programa Café Cultural.
Tudo sobre cinema, música e literatura você ouve aqui...hoje é dia de Café Cultural, na Rádio Mega Brasil Online!
O Café Cultural conversou com o mestre em Direito, Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de Alagoas e escritor Humberto Pimental que lança o romance policial “Morte na fronteira”, onde explora temas como corrupção, dilemas éticos e as diferentes versões da verdade.
No limite entre o certo e o errado, toda verdade pode ser questionada. É com essa perspectiva do livro, no qual as certezas são raras e os limites são ambíguos. A ética e a moralidade dependem do olhar dos personagens, que perpassam as zonas cinzentas da lei e contribuem para o realismo investigativo deste romance policial.
O protagonista da trama é Armando, um perito criminal aposentado que agora atua como advogado criminalista. Intelectual e observador sagaz, ele utiliza uma cadeira de rodas desde que foi vítima de um acidente trágico e tem um forte senso de lealdade apesar de sua visão sombria acerca da existência. Ao seu lado, há a afilhada Noemi, uma jovem idealista e esperançosa que trabalha como assistente do padrinho e alimenta uma fé inabalável nas pessoas — às vezes até mesmo nas desconhecidas.
A trajetória deles segue por um rumo incerto quando o delegado Tonho se torna cliente do escritório de advocacia após ser acusado de um crime que afirma não ter cometido. Apaixonado e obcecado pela ex-namorada, Gabi, ele é um homem vaidoso e quase fútil em comparação à mulher frágil com quem se relacionou. Entretanto, somente durante as reviravoltas da investigação será revelado quem se esconde por trás da máscara da inocência.
O autor usa seu conhecimento como profissional do Direito e as características mais clássicas do romance policial para retratar as relações do submundo do crime com os gabinetes de justiça, além das falhas do sistema. Com uma narrativa intensa e cheia de mistérios, a obra também recorre ao existencialismo para refletir sobre assuntos como destino, fatalismo, livre-arbítrio e a ambiguidade inerente aos humanos.
Por meio de uma história que rompe os conceitos de “herói” e “vilão” dos leitores, Humberto Pimentel convida a adentrar um mundo que, apesar de fictício, é um retrato da realidade. Nesta trama, a vida acontece entre as fronteiras e tensiona a todo instante as percepções que antes pareciam certezas.