Reputação em campo minado

Por Carina Rodrigues

30 de Junho de 2026 | 18h00

Divulgação \ Linkedin

"O monitoramento tornou-se uma ferramenta estratégica de proteção reputacional. Não se trata apenas de acompanhar métricas, mas de identificar sinais de risco antes que eles se transformem em uma crise de grandes proporções", afirma Rogério Passos (foto), CEO da Link3 Marketing Digital.

A intensificação do debate político nas redes sociais e no ambiente público, impulsionada pela aproximação das eleições de 2026, coloca empresas e lideranças diante de um desafio cada vez mais complexo: proteger sua reputação em um cenário de polarização crescente. Se antes a gestão da imagem corporativa era tratada principalmente como uma estratégia de marketing, hoje ela se tornou um componente essencial da governança e da sustentabilidade dos negócios.

Nesse contexto, a reputação deixou de estar restrita às campanhas institucionais e passou a refletir também o comportamento de executivos, porta-vozes e demais representantes das organizações. A velocidade com que informações circulam no ambiente digital faz com que manifestações pessoais, campanhas publicitárias e até interações nas redes sociais sejam rapidamente associadas às marcas, muitas vezes independentemente da intenção original.

Para Rogério Passos, CEO da Link3 Marketing Digital, um dos principais riscos desse cenário é justamente a empresa ser inserida em uma narrativa política sem que tenha planejado esse posicionamento. "Vivemos um momento em que a fronteira entre a imagem do executivo e a reputação da empresa praticamente desapareceu. Uma manifestação pessoal, uma curtida, um comentário ou até uma interpretação equivocada de uma campanha podem ser rapidamente associados à marca", afirma. Segundo ele, o ambiente digital potencializa conflitos e permite que interpretações enviesadas ganhem força em questão de minutos, especialmente durante períodos eleitorais.

Casos recentes envolvendo grandes empresas demonstram como campanhas publicitárias ou manifestações institucionais podem ser apropriadas por diferentes grupos políticos, gerando boicotes, críticas e intensa repercussão nas redes sociais. Em muitos episódios, a crise não decorreu de um erro objetivo, mas da forma como determinada mensagem foi interpretada e compartilhada. Em um ambiente de julgamentos instantâneos, o improviso passou a representar um dos maiores riscos para a reputação corporativa.

Diante desse cenário, especialistas apontam que coerência e planejamento são fatores decisivos para preservar a confiança dos diferentes públicos. Para Passos, o erro mais comum é tentar agradar todos os segmentos ao mesmo tempo ou adaptar discursos conforme a audiência. "Empresas precisam compreender que seu papel não é participar de todos os debates públicos, mas se posicionar com autoridade nos temas que fazem parte de sua atividade, de seus valores e de sua estratégia de negócio", ressalta. Segundo ele, a construção de reputação deve estar baseada em consistência, propósito e clareza institucional, evitando manifestações impulsivas ou oportunistas.

Outro elemento que ganhou protagonismo é o monitoramento constante do ambiente digital. Ferramentas de análise de dados e social listening deixaram de servir apenas para medir engajamento e passaram a funcionar como mecanismos de prevenção de crises. "O monitoramento tornou-se uma ferramenta estratégica de proteção reputacional. Não se trata apenas de acompanhar métricas, mas de identificar sinais de risco antes que eles se transformem em uma crise de grandes proporções", explica Passos. Para ele, protocolos de resposta, porta-vozes preparados e processos claros de tomada de decisão fazem toda a diferença quando uma situação crítica surge.

A comunicação interna também passou a exigir atenção especial. Em um ambiente polarizado, empresas que permitem ou estimulam disputas político-ideológicas no cotidiano corporativo podem enfrentar conflitos internos, perda de engajamento e até riscos jurídicos. Nesse contexto, políticas de comunicação, códigos de conduta digital e programas de media training deixaram de ser diferenciais para se tornar instrumentos de proteção da marca e de fortalecimento da cultura organizacional.

Com a proximidade das eleições de 2026, especialistas defendem que planejamento, governança e responsabilidade digital serão determinantes para preservar o valor das marcas. Passos destaca que a reputação é construída ao longo do tempo, mas pode ser comprometida em poucos minutos. "Marcas fortes não constroem reputação apenas em momentos de crise, mas por meio de um comportamento coerente ao longo do tempo. Empresas que cultivam relações de confiança com clientes, colaboradores e demais stakeholders tendem a atravessar períodos de maior polarização com mais resiliência", conclui. Em um cenário de intensa exposição pública, proteger a reputação tornou-se uma estratégia indispensável para garantir a continuidade e a credibilidade dos negócios.

Reputação e Marca é um assunto que tem se tornado cada vez mais importante para o mercado e para a sociedade como um todo. E justamente por conta dessa relevância, esse é um tópico que não poderia faltar em uma das mesas de debate da 29ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas, que acontecerá nos dias 27 e 28 de agosto, na Unibes Cultural, em São Paulo, trazendo como tema central “Reputação, negócios e os desafios na luta por um planeta sustentável”.

E como um dos assuntos a ser discutido no evento, Reputação e Marca é protagonista da primeira mesa de debate, sob o título “Riscos reputacionais e valor de marca - o que a geopolítica nos ensina”. No palco, teremos as presenças já confirmadas dos executivos Alexandre UeharaCoordenador do curso de Relações Internacionais da ESPMLuiz Lara, Publicitário, Chairman da TBWA Brasil e sócio em advocacy na To Be Good; Marcos Silva, Pós-Doutorado em Psicologia Social (Universidade Estadual do Rio de Janeiro-UERJ) e Coordenador e Orientador de Negócios de Impacto Social na ESPM-Social; com mediação de Nelson Silveira, Professor no MBA em Gestão da Comunicação Empresarial da Aberje/FGV Comunicação.

Esse e muitos outros temas que estão bombando no universo da Comunicação Corporativa serão explorados na edição deste ano do Congresso. Até o momento, o evento tem confirmadas as participações das empresas Grupo Carrefour BrasilUOLGrupo BursonYpêP3K ComunicaçãoEMSRobert HalfESPMEinstein Hospital IsraelitaInstituto de Psiquiatria do HCSBTCooxupéUnileverPUC-SPAXIA EnergiaPolícia Civil do Estado de São PauloRGBTBWAMagazine LuizaFundação Padre AnchietaAberjeIpsos e Fato Relevante.

O evento conta com o apoio das empresas AXIA Energia, Einstein Hospital Israelita, EMS, Fato Relevante, Gerdau, Grupo Burson, Grupo Carrefour Brasil, P3K Comunicação, Prospectiva, Unilever e Ypê. O apoio institucional é da Unibes Cultural.

Não dá para perder! Se você ainda não fez a sua inscrição para participar, ainda dá tempo de garantir a sua presença neste evento tão importante para a Comunicação Corporativa. Acesse o nosso site e adquira a sua participação!

Lembrando que acabamos de entrar no 4º lote de ingressos, que estará disponível pelo valor de R$ 1.158,00 até o dia 13 de julho. Instituições apoiadoras têm 5% de desconto sobre o valor.

Mais informações em nosso site ou pelos nossos canais de atendimento eventos@megabrasil.com.br e (11) 9 8843-0304 ou (11) 9 7852-9239.