Por Larissa Sugiyama
13 de Agosto de 2026 | 12h00
Divulgação
“É mais uma ação catalisadora para o avanço da pauta de DEI, que já se consolidou como vetor estratégico para um negócio crescer de forma sustentável”, afirma Verônica Vassalo, Gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil
O Pacto Global da ONU – Rede Brasil, representação local da maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, acaba de lançar o “Reflorestar o Corporativo”, uma ação inédita de sensibilização corporativa voltada à empregabilidade indígena no País. A iniciativa busca apoiar empresas na construção de práticas mais inclusivas, sustentáveis e alinhadas ao “ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial”, objetivo brasileiro voltado à aceleração da igualdade étnico-racial em todas as esferas da sociedade.
Fruto da parceria entre os movimentos “Raça é Prioridade” e “Impacto Biomas”, o projeto conta com a parceria técnica da BND Digital, empresa 100% indígena responsável pelo suporte especializado da iniciativa. A proposta é estruturar caminhos para que organizações brasileiras promovam um “reflorestamento” de conceitos e práticas institucionais, ampliando a presença indígena no setor privado.
Sub-representação no mercado
O “Reflorestar o Corporativo” nasce como resposta a um cenário de sub-representação indígena no mercado de trabalho. Nas maiores empresas do País, a participação indígena segue abaixo de 1% nas categorias analisadas, segundo levantamento do Instituto Ethos. A desigualdade se aprofunda nos cargos de alta liderança: homens indígenas representam apenas 0,1% desses postos, enquanto mulheres indígenas aparecem com 0% de participação, de acordo com pesquisa conduzida pelo mesmo instituto.
Entre as mulheres indígenas, o cenário é ainda mais crítico. De acordo com dados coletados a partir da “Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua)”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do primeiro trimestre de 2024, a taxa de desemprego chega a 12,5% e cerca de 50% das mulheres indígenas ocupadas estão na informalidade. Os números evidenciam que a exclusão não está apenas no acesso ao trabalho, mas também na permanência, na ascensão profissional e na presença indígena nos espaços de decisão.
Sensibilização e práticas corporativas inclusivas
Para dar início a essa jornada de transformação, o projeto prevê duas atividades de sensibilização: a primeira em formato 100% digital e a segunda em formato híbrido. Os encontros irão abordar inclusão de pessoas indígenas, ambientes de trabalho sustentáveis, trajetórias de carreira, formação de lideranças antirracistas e políticas corporativas comprometidas com a equidade.
A pauta de empregabilidade será central, orientando empresas sobre como transformar compromissos institucionais, agendas ESG e marcos de direitos humanos em ações concretas de atração, contratação, desenvolvimento e permanência de talentos indígenas.
Para Verônica Vassalo, Gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, ao fomentar esse debate junto às organizações, o projeto contribui diretamente para a implementação prática do “ODS 18” no setor privado.
“A iniciativa visa qualificar as métricas de diversidade corporativa, conectando profissionais e empreendedores indígenas, e estimulando transformações estruturais de longo prazo no mercado de trabalho, além de contribuir para o alcance da meta do ‘Movimento Raça é Prioridade’ de ter 50% dos cargos de liderança ocupados por pessoas negras e indígenas até 2030”, enfatiza Verônica. “É mais uma ação catalisadora para o avanço da pauta de DEI, que já se consolidou como vetor estratégico para um negócio crescer de forma sustentável”, conclui.