Confiança é a chave das marcas

Por Carina Rodrigues

27 de Agosto de 2026 | 12h00

Divulgação

Da esquerda para a direita: Nelson Silveira, Luiz Lara, Alexandre Uehara, Priscila Branco e Marcos Silva

A 29ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas da Mega Brasil Comunicação começou! Entre hoje (27) e amanhã (28), a Unibes Cultural, em São Paulo, será palco do maior Congresso de Comunicação Corporativa do País. Sob a temática “Reputação, negócios e os desafios na luta por um planeta sustentável”, o evento traz uma programação composta por seis mesas redondas e três eventos satélites, abordando, novamente, conteúdos com temas de impacto na sociedade e fortemente presentes nas pautas diárias das empresas.

E abrindo os trabalhos da edição 2026, nesta manhã tivemos o “Marco Zero”, que trouxe para o centro das discussões o conceito de “Reputação & Marca”, sob o título: Riscos reputacionais e valor de marca - o que a geopolítica nos ensina.

A relação entre reputação, confiança e valor de marca esteve no centro da primeira mesa de debate do evento, intitulada “Riscos reputacionais e valor de marca – o que a geopolítica nos ensina”. O encontro reuniu Alexandre Uehara, coordenador do curso de Relações Internacionais da ESPM; Luiz Lara, chairman da TBWA Brasil e sócio em advocacy da To Be GoodMarcos Silva,  Pós-Doutorado em Psicologia Social (Universidade Estadual do Rio de Janeiro-UERJ) e Coordenador e Orientador de Negócios de Impacto Social na ESPM-Social; e Priscila Branco, diretora de Public Affairs & Corporate Reputation da Ipsos, com mediação de Nelson Silveira, professor no MBA em Gestão da Comunicação Empresarial da Aberje/FGV Comunicação.

Ao discutir os impactos da atual policrise geopolítica sobre empresas e marcas, os participantes destacaram que o cenário internacional deixou de ser uma questão restrita aos governos e passou a fazer parte das decisões corporativas. Para Uehara, o Brasil está cada vez mais inserido em uma dinâmica global de competição e influência. “Nesse ambiente geopolítico de hoje não temos mais a possibilidade de pensar no Brasil como uma coisa fechada. Por mais que ele não exporte, ele não está isento da concorrência internacional”, afirmou. O professor também chamou atenção para a importância de analisar o cenário a partir da geoeconomia, além da geopolítica.

A discussão avançou para o papel das marcas em um ambiente de incertezas, no qual diferentes países, culturas e valores disputam espaço no imaginário dos consumidores. Marcos Silva destacou que o momento atual é marcado pela dificuldade de estabelecer referências e identificar em quais informações confiar. “O problema contemporâneo não é apenas ter medo, é não saber exatamente do que devemos ter medo”, disse. Segundo ele, a disputa pelo imaginário também passa pela força simbólica de países e instituições, que pode mudar à medida que novos atores ganham influência global.

Nesse contexto, a confiança aparece como um dos principais ativos para a construção de relações duradouras entre marcas e pessoas. Luiz Lara defendeu que a conexão emocional estabelecida entre consumidores e empresas parte de mecanismos semelhantes aos das relações humanas. “Desde o início as pessoas fazem negócios com quem gostam, conhecem e confiam. A vida inteira o que buscamos é acolhimento, pertencimento e reconhecimento. A nossa relação com as marcas é igual porque tratamos marcas como pessoas”, afirmou.

Priscila Branco trouxe dados da Ipsos para mostrar como a geopolítica já interfere concretamente na percepção e nas decisões de consumo. Segundo a executiva, a nacionalidade das empresas passou a ser um atributo relevante para a confiança, com 48% das pessoas afirmando que evitariam comprar um carro com base na nacionalidade do fabricante. Ao mesmo tempo, 69% dos brasileiros têm percepção positiva sobre produtos chineses, sinalizando uma mudança importante no cenário de valores e percepções. “53% das pessoas dizem estar dispostas a gastar mais por uma marca com uma imagem que as agrada. A importância dos valores é cada vez maior”, destacou.

Ao final do debate, a confiança se consolidou como um dos pontos centrais para marcas que precisam operar em um cenário de crises permanentes, múltiplas vozes e mudanças nas relações de poder. Mais do que uma questão de imagem, a reputação passa a ter impacto direto sobre negócios, relações e decisões de consumo. Como resumiu Priscila Branco, “confiança constrói valor presente, marcas confiáveis são mais lembradas”, uma síntese do desafio colocado aos profissionais de comunicação diante de um ambiente em que posicionamento, coerência e credibilidade se tornam cada vez mais estratégicos.

Esse e muitos outros temas que estão bombando no universo da Comunicação Corporativa serão explorados na edição deste ano do Congresso. O evento tem confirmadas as participações das empresas Grupo Carrefour Brasil, CNseg, Volkswagen, Aché – Laboratórios Farmacêuticos, WWF Brasil, Mosaic, L’Oréal Brasil, Bites, DALE, 2 Spread Comm, Toyota, Prospectiva, 1 Papo Reto, Indicafix, UOL, Grupo Burson, Ypê, P3K Comunicação, EMS, Robert HalfEinstein Hospital Israelita, Instituto de Psiquiatria do HC, SBT, Cooxupé, Unilever, PUC-SP, AXIA Energia, Polícia Civil do Estados de São Paulo, RGB, Magazine Luiza, Fundação Padre Anchieta e Fato Relevante.

O apoio fica por conta das empresas AXIA Energia, DALE, Einstein Hospital Israelita, EMS, Fato Relevante, Gerdau, Grupo Burson, Grupo Carrefour Brasil, Natura, P3K Comunicação, Prospectiva, Unilever, Volkswagen e Ypê. Já o apoio institucional é da Abracom e Unibes Cultural.