Comunicação em liderança de pensamento

Por Larissa Sugiyama

28 de Agosto de 2026 | 16h00

Fabio Salles

Da esq. para dir.: Lucas Gandia (Einstein Hospital Israelita); Renata Binotto (Fato Relevante); Leandra Peres (AXIA Energia); Jackie Macedo (Unilever) e Jorge Florêncio Ribeiro Neto (Cooxupé) participaram da Mesa de Debates 6, da 29ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas

A 29ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas da Mega Brasil Comunicação segue à todo o vapor, mas já caminhando para o seu final! E nesta sexta-feira (28), a Unibes Cultural, em São Paulo, segue sendo palco do maior Congresso de Comunicação Corporativa do País. Sob a temática “Reputação, negócios e os desafios na luta por um planeta sustentável”, o evento traz uma programação composta por sete mesas redondas e dois eventos satélites – “Fórum do Pensamento” e “Arena da Inovação” – abordando, novamente, conteúdos com temas de impacto na sociedade e fortemente presentes nas pautas diárias das empresas.

E finalizando os trabalhos da edição 2026, nessa tarde também tivemos a apresentação da sexta, e última, mesa de debates, que abordou a temática da Comunicação em Liderança de Pensamento (Thought Leadership). Sob a mediação de Lucas Gandia, Especialista de Mídias Digitais no Einstein Hospital Israelita, o painel trouxe para o centro das discussões uma tendência que está se consolidando: a comunicação e as redes transformando líderes em autoridades e marcas em referências de mercado. Tudo isso, do ponto de vista dos convidados desse encontro, que trouxeram para o público um pouco de como essa questão é tratada dentro de suas respectivas organizações.

Abrindo a roda de conversa, o mediador Lucas Gandia já iniciou reforçando que a reputação de uma empresa, nos dias de hoje, vem sendo trabalhada pelas próprias pessoas. Diante desse cenário, portanto, começa a se construir uma liderança de pensamento, seja por meio de pessoas ou de marcas, trazendo confiança, credibilidade e relevância.

Logo em seguida, ele passou a palavra para os convidados, que, por meio de suas experiências e de seus ambientes de trabalho, abordaram como eles trabalham as suas lideranças para serem “lideranças de pensamento”.

Renata Binotto, Diretora-Executiva da Fato Relevante, assumiu a dianteira das apresentações e trouxe para o público o olhar das agências acerca da questão da liderança de pensamento, mais especificamente, algumas dicas para se tornar uma liderança de pensamento.

“Por que alguns executivos repercutem enquanto outros só publicam?”. A resposta, segundo Renata, pode estar na frequência, no volume, engajamento, conteúdo, formato ou linguagem da sua publicação.

Segundo uma pesquisa mostrada pela executiva, as narrativas que mais engajam são aquelas que geram reconhecimento, abordam experiências pessoais, levantam uma bandeira/causa, enfatizam a cultura, exaltam o Brasil e destacam a inovação.

Há ainda aquilo que chamamos de “seis cerejas da autoridade digital”. São elas:

 

1. Reconhecimento gera identificação quando o mérito é compartilhado

2. A primeira pessoa amplia o potencial de repercussão

3. Audiência engajada vence audiência grande

4. O número informa. A história faz lembrar

5. Formato nativo dentro do feed

6. Bandeira sem coerência é discurso. Com coerência é autoridade

 

Dadas as dicas, era hora de descobrir como a liderança de pensamento era trabalhada na prática, ou seja, como as empresas aplicam o tema em questão.

A próxima a compartilhar o seu conhecimento com o público foi Leandra Peres, Diretora de Comunicação e Marketing Institucional da AXIA Energia, que focou no processo de rebranding e virada de marca que a AXIA realizou no ano passado e fez a empresa recomeçar nas redes sociais e suas lideranças sofrerem uma transformação 360º.

A Comunicação hoje conversa com estratégia, gestão de riscos, sustentabilidade, relações institucionais e cultura organizacional. Portanto, não se trata apenas de amplificar mensagens, mas sim, de promover entendimento.

A reputação de uma marca, por sua vez, se fortalece com uma liderança que comunica, inspira e impacta a cultura da organização. Diferentes lideranças carregam diferentes perspectivas, repertórios e públicos, e a multiplicidade de vozes amplia a credibilidade e humaniza a marca. Com isso, uma liderança mais visível e preparada reduz riscos reputacionais em momentos sensíveis.

Trazendo todos esses pontos para a AXIA, o desafio estava em como ancorar o rebranding e a virada de marca de uma empresa que tem 60 anos de mercado à uma liderança?

A resposta veio em forma de três pilares de liderança 360º: presença digital estratégica; comunicação interna ativa; e multiplicidade de vozes.

Precisávamos de uma liderança que fale com autoridade, mas que, ao mesmo tempo, não rompa com a história já construída. Essa voz da evolução, que caminha para frente, mas que não deixa o passado para trás, foi encontrada no CEO da companhia, Ivan de Souza Monteiro”, contou Leandra.

Segundo a executiva, antes da marca ser reconhecida lá fora, ela precisa fazer sentido dentro. Ou seja, é preciso um trabalho de alinhamento de mensagens-chave com lideranças de topo; clareza para que o público interno soubesse o racional da nova marca num conceito que valorizasse o legado; e materiais da nova marca amplamente distribuídos entre os times.

Como resultado, a AXIA se tornou uma marca mais forte, humana e resiliente, uma vez que obteve ampliação da autoridade institucional em temas prioritários; maior capacidade de resposta em momentos de crise ou exposição pública; redução da dependência da imagem do CEO; e maior confiança dos colaboradores na estratégia da empresa.

Durante o processo de rebranding, a Comunicação não entra no fim, ela conduz e dá forma externa e internamente à mudança. Foi essa compreensão que orientou o rebranding da AXIA Energia”, afirmou Leandra. “Mais do que apresentar um novo nome, o movimento buscou traduzir uma companhia em transformação, alinhada à transição energética, à inovação, à sustentabilidade e à modernização do setor elétrico”, complementou, finalizando sua apresentação.

Passando o microfone, foi a vez de Jackie Macedo, Gerente de Comunicação Corporativa da Unilever Brasil, contar um pouco sobre como a companhia trabalha a questão da liderança de pensamento, trazendo o olhar de quem constrói essa autoridade das marcas da multinacional.

Estamos vivendo uma nova era da atenção, de uma tendência que se consolida. Segundo Jackie, nós saímos do “um para muitos” para o “muitos para muitos”, no qual as marcas não ditam o que são relevantes, mas sim, as comunidades fazem esse papel.

Autoridade não se anuncia. Ela se conquista. Autoridade nasce do encontro entre desejo e reputação”, afirmou a executiva.

E, de acordo com ela, essa autoridade global das marcas da Unilever foram conquistadas por meio da aplicação da chamada “fórmula SASSY”, que significa:

 

S – Science: ciência que constrói confiança

A – Aesthetics: estética que seduz e conecta

S – Sensoriais: experiências que criam memória

S – Said by others: recomendação e prova social

Y – Young-spirited: marcas sempre atuais e relevantes

 

Marcas fortes não interrompem a cultura. Elas a fortalecem”, frisou Jackie, concluindo a sua apresentação.

E finalizando a rodada de participações desta última mesa de debates, tivemos a participação de Jorge Florêncio Ribeiro Neto, Gerente de Comunicação e Marketing da Cooxupé, que abordou a temática da liderança de pensamento dentro de um ambiente diferente. No caso, a Cooxupé lida com a comunicação de um setor, o cafeeiro, e o modelo de comunicação desenvolvido por eles aconteceu, na verdade, por conta de uma necessidade.

O café é a segunda bebida mais consumida do planeta, enquanto o Brasil é o maior produtor de café do mundo e o segundo maior consumidor mundial. Diante desse cenário, o desafio era comunicar a importância da Cooxupé para o público.

Conforme explicou Jorge, a comunicação foi sendo construída com o objetivo de informar os produtores de café, para passar a eles informações técnicas. O resultado disso, foi um processo de transição midiática, que foi do “Folha Rural Coisa Nossa”, para o “Painel Rural”, website, mídias digitais, até chegar no “App Cooxupé”.

A nossa Comunicação é só fato real. Nós construímos os nossos porta-vozes. Na Comunicação, precisamos de ferramentas e tecnologia para existir. A Comunicação é uma parte extremamente importante da engrenagem dos negócios”, declarou Jorge, finalizando sua apresentação.

E assim, chegamos ao fim de mais um Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas, um evento que contou com a participação de diversas empresas relevantes do mercado, representadas pelos seus executivos que dispuseram de seu tempo para compartilhar com o nosso público um pouco de suas experiências e conhecimentos.

Esse e muitos outros temas que estão bombando no universo da Comunicação Corporativa foram explorados na edição deste ano do Congresso. O evento contou também com as participações das empresas Grupo Carrefour Brasil, Volkswagen, WWF Brasil, Mosaic, L’Oréal Brasil, Bites, DALE, 2 Spread Comm, 1 Papo Reto, Indicafix, Ypê, P3K Comunicação, EMS, Robert Half, ESPM,, Instituto de Psiquiatria do HC, SBT, Unilever, PUC-SP, Polícia Civil do Estados de São Paulo, TBWA, Magazine Luiza, Fundação Padre Anchieta, Aberje e Ipsos.

O apoio ficou por conta das empresas AXIA Energia, DALE, Einstein Hospital Israelita, EMS, Fato Relevante, Gerdau, Grupo Burson, Grupo Carrefour Brasil, Natura, P3K Comunicação, Prospectiva, Unilever, Volkswagen e Ypê. Já o apoio institucional foi da Abracom e Unibes Cultural.

A Mega Brasil Comunicação agradece a todos pela participação e por terem acompanhado tudo o que aconteceu no evento por aqui. Nos vemos novamente em 2027!