Talento antes do currículo

Por Carina Rodrigues

08 de Setembro de 2026 | 17h00

Divulgação

“Apostar no desenvolvimento de talentos é uma solução capaz de ampliar o rol de candidatos e ajudar as empresas a desenvolver competências alinhadas às suas necessidades específicas”, afirma Leonardo Berto (foto), gerente da Robert Half

Uma pesquisa realizada pela Robert Half mostra que 36% das empresas brasileiras, quando não encontram candidatos que atendam plenamente aos requisitos de uma vaga, optam por contratar profissionais com alto potencial de desenvolvimento. O levantamento aponta uma mudança nos critérios de contratação diante dos desafios para encontrar profissionais com as habilidades necessárias.

O estudo revela que, em vez de esperar por um candidato que reúna todas as competências exigidas, as organizações têm considerado também a capacidade de aprendizado e desenvolvimento. A estratégia permite atender às necessidades atuais e, ao mesmo tempo, desenvolver competências que serão importantes para o negócio no futuro.

“Para os profissionais, os dados reforçam a importância de demonstrar, além de experiência, disposição para aprender e assumir novos desafios”, afirma Leonardo Berto, gerente da Robert Half. Segundo a pesquisa, as empresas devem diferenciar quais habilidades são indispensáveis para a função e quais podem ser desenvolvidas por meio de treinamento e experiência.

A contratação pelo potencial aparece como a principal alternativa diante da escassez de talentos. Entre outras estratégias adotadas estão a redistribuição de responsabilidades entre integrantes da equipe, citada por 20% dos gestores; a redefinição do escopo da função para priorizar necessidades críticas do negócio, com 13%; e a alocação de profissionais em projetos por tempo determinado, com 12%. Já 18% das empresas preferem manter a busca até encontrar um candidato que atenda integralmente ao perfil desejado.

Considerar o potencial, no entanto, não significa reduzir os critérios de seleção. “Por isso, cada vez mais a tendência é combinar critérios rigorosos de seleção com programas de desenvolvimento, a fim de construir as competências das quais precisarão no futuro”, acrescenta Berto.

Realizada pela Robert Half e conduzida por uma empresa independente de pesquisa, a pesquisa ouviu 500 gestores de contratação no Brasil em junho de 2026. Os participantes atuam nas áreas de Finanças e Contabilidade, Tecnologia e TI, Engenharia, Jurídico, Administrativo e Suporte ao Cliente, oferecendo um retrato das estratégias adotadas pelas empresas diante da escassez de habilidades.