Por Samara Monteiro
06 de Outubro de 2026 | 16h00
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Nesta semana, durante uma reunião de alinhamento com a equipe, soltei uma frase que fez algumas sobrancelhas se erguerem do outro lado da tela: “A gente precisa se apaixonar pelos nossos clientes!”.
Em um mercado dominado por metas, SLA, ciclos longos de negociação e termos complexos, falar em "paixão" pode soar inocente. Quase piegas. Afinal, atuo estritamente no mercado B2B, um ecossistema onde decisões costumam ser justificadas por planilhas, métricas de eficiência e retorno sobre o investimento.
Mas a verdade é que, quanto mais o tempo passa e mais projetos conduzo, mais me convenço de uma coisa: na comunicação corporativa entre empresas, o afeto consciente não é um detalhe sentimental; é a chave para o trabalho dar certo.
Para uma agência B2B, a comunicação não pode ser tratada como uma esteira industrial de produção de conteúdo ou lançamentos de relatórios de clipping. B2B não está relacionado a vender para um CNPJ genérico, e sim com dialogar com pessoas que tomam decisões estratégicas dentro desses CNPJ. E não há como construir esse diálogo de forma autêntica se, do lado de cá da mesa, nós não acreditarmos de verdade no que estamos comunicando.
Para mim, essa "paixão" estratégica se sustenta em um triângulo indissociável:
1. Acreditar na pessoa
Por trás de cada solução técnica, software empresarial ou equipamento industrial, existe um fundador, um diretor ou uma equipe que dedicou anos da vida para fazer aquilo funcionar. Se não nos conectarmos com a visão e a inteligência das pessoas que lideram o cliente, a comunicação nasce fria. Precisamos respeitar a jornada de quem está do outro lado para conseguir traduzir a sua voz.
2. Acreditar no produto (ou serviço)
No B2B, a complexidade é a norma. Entender o valor real de uma solução logística, de um software de gestão corporativa ou de um insumo industrial exige estudo, curiosidade e mergulho profundo. Se a equipe de comunicação não enxerga genuinamente a utilidade e o diferencial daquele produto para o mercado, o resultado será uma comunicação genérica, repleta de clichês como "solução inovadora" e "excelência em atendimento" que não dizem nada a ninguém.
3. Acreditar no projeto
O projeto é o futuro. É para onde a marca quer ir. Quando a agência compra essa visão, o relacionamento deixa de ser a mera entrega de uma lista de tarefas e passa a ser uma parceria de negócios. Ninguém defende com unhas e dentes um projeto no qual não acredita.
O que isso tem a ver com a boa comunicação?
Tudo. Quando a paixão profissional entra no processo, o impacto na comunicação B2B é imediato:
. Surgem histórias com alma: saem os comunicados engessados e entra o storytelling sobre dores da indústria, transformações operacionais e impactos práticos nos negócios.
. A coragem de dizer "não": amar o projeto não significa concordar com tudo o que o cliente pede. Quem se importa de verdade tem a coragem de contestar um caminho, sugerir mudanças de rota e proteger a marca de decisões ruins.
. Resiliência nas crises: projetos B2B enfrentam oscilações de mercado, mudanças regulatórias e gargalos. Agências que apenas "cumprem escopo" cobram pelo contrato; agências apaixonadas sentam na mesa para resolver o problema junto.
No final das contas, o mercado B2B exige confiança. E confiança não se constrói apenas com dados e planilhas, constrói-se com verdade.
Samara Monteiro
Samara Monteiro é jornalista e especialista em comunicação corporativa, reputação e posicionamento de marcas, com mais de duas décadas de experiência ajudando empresas a transformar estratégia em narrativa. Sócia e Diretora de Atendimento na BRSA, lidera projetos com foco em assessoria de imprensa e relacionamento com stakeholders, com forte atuação no setor de tecnologia B2B e experiência também no segmento do agronegócio. Ao longo da carreira, consolidou uma visão que une pensamento estratégico, sensibilidade humana e foco em resultados, acreditando que a comunicação bem-feita não apenas informa, mas conecta, influencia e gera valor. É apaixonada pela comunicação humana e está sempre disponível para um café acompanhado de boas trocas de figurinhas e aprendizados.