Daniela Robledo
30 de Maio de 2022 | 10h00
Soluções sustentáveis não podem ser enfeites em eventos. A Sustentabilidade não pode ser usada como uma vitrine para a mídia, mas deve ser uma verdade e uma conduta para que as pessoas a experimentem e vivenciem, de modo a difundir essa cultura para o maior número de indivíduos.
Meu grande legado é fazer da Sustentabilidade algo natural, trazendo esse conceito para perto de mim, da empresa em que trabalho e de todas as pessoas que conheço, desmistificando-a como algo distante e impossível e que só serviria se fosse impecável. Para mim, Sustentabilidade é tudo aquilo que está ao nosso alcance, que pode e deve ser feito para não agredir (ou, muitas vezes, para agredir menos) o meio ambiente.
Neste ano, participamos da Agrishow, uma das maiores feiras agrícolas do mundo. Os eventos corporativos e feiras se tornam uma grande oportunidade para que as empresas participantes promovam e instituam suas opções sustentáveis no momento de expor.
Muito diferente de uma ação “Greenwhashing”, temos uma preocupação e uma verdade naquilo que fazemos, e não divulgamos isso, porque não é sobre “marketizar”, é sobre viver o que se propõe e acredita. Por isso, neste artigo estou dividindo um pouco das minhas escolhas, com o intuito de incentivar outros executivos que também possam surfar nesta onda. Torna-se tudo muito fácil depois que é assimilado no cotidiano.
Para começar, a questão não é somente com quais materiais se faz o estande, mas sim o que se faz com todo o material depois que a feira acaba. Onde se joga tudo e o que é reaproveitado. É um novo mindset. Nesta feira, nosso estande foi construído com algumas alternativas ecofriendly, com o uso de estruturas de madeira de reflorestamento, compensados, painéis de material reciclado e mantas, entre outras preferências de materiais. Tudo foi construído de maneira sustentável? Não, muita coisa infelizmente não tem material disponível no mercado para substituição e muito menos com valores absorvíveis dentro do budget para o evento. Também não permito que a aparência seja rústica ou alternativa demais. As pessoas confundem o sustentável com alternativo.
Mas esse não é o diferencial que desejo explorar. Isso é apenas o compartilhamento das minhas escolhas.
O importante é que, como temos muitos eventos dentro do nosso planejamento este ano, todo o material que usamos, na estrutura e decoração, será reaproveitado nos demais que faremos; assim, no término de cada evento não jogaremos tudo fora tendo de fazer de novo no seguinte. Isso é uma mudança e um diferencial.
Quanto aos resíduos gerados, o “lixo”, tudo foi separado e, em parceria com ONGs locais, foi recolhido e distribuído. Na comunicação visual, foram utilizadas bases de tecidos pet reciclados, impressos por sublimação, o que visualmente não mostra alteração – como já mencionei, não “marketiza” e não sinalizamos isso, mas é nossa contribuição consciente ao meio ambiente.
Sobre A&B, como nossa empresa tem o DNA da brasilidade como um de seus pilares, sempre optamos por diferentes experiências que remetam a diferentes cantos do Brasil. Optamos por um coffee break orgânico e o principal: de produção local. Assim, valorizamos e incentivamos o consumo e a produção local, sem falar na geração de emprego. Isso deve ser uma preocupação de todos.
Para os nossos brindes, como tratava-se de uma feira agro, criamos uma versão moderna do embornal. O embornal era usado antigamente por andarilhos para o transporte de alimentos e sementes. Então, criamos um modelo estilizado para o nosso brinde, com material de tecido pet, e também oferecemos copos de fibra de coco. Hoje todo o material foi desmontado e encaminhado para receber ajustes e limpezas para a próxima montagem.
Agora, o melhor e mais importante de tudo: não gastamos absolutamente nem um centavo a mais por fazer essas escolhas.
Acho que a mudança do mundo é esta. Todo mundo faz um pouco, o que está ao seu alcance e, assim, um pouco vira muito.
Daniela Robledo
Daniela Robledo é Diretora de Marketing na SOL Copérnico Energias Renováveis, que nasceu com o propósito de democratizar a energia solar e sustentável no Brasil.
Com quase 20 anos de atuação no mercado de Marketing e Comunicação, Daniela soma em seu currículo, passagens por diversas empresas de diversos setores, como Oi, Amil, DMX Africa, Base Element, Housi, entre outras.
Ela é graduada em Comunicação Social, com ênfase em Marketing, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), com curso de extensão em Marcas com Propósito, também pela ESPM. Possui MBA em Gestão de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), treinamento executivo em Planejamento Financeiro pela Nova School of Business and Economics, além de ser mestre em Administração de Empresas pela Universidade Europeia.